Hoje abordaremos o tema Paradigmas que inquieta tantas pessoas e deixa tantas dúvidas pairando por aí. Para entender mais sobre o que eles são e como podemos amplia-los é só seguir lendo!

Discussão ou Diálogo?

Você possivelmente já discutiu com uma pessoa bem próxima a você e de repente se pegou perguntando “como essa pessoa pode pensar assim?”. Em épocas de eleições isso é muito comum e ultimamente, infelizmente, vivemos uma época de polarização muito forte entre diferentes pontos de vista ao redor do planeta!

Mas afinal porque isso acontece? Porque as pessoas discutem tanto e entram em pé de guerra?! São os nossos paradigmas influenciando nossas vidas muito mais do que gostaríamos (e por que não dizer) e do que temos consciência. Sem perceber nossos paradigmas guiam nossas decisões e entramos na defesa daquilo que entendemos como o nosso mundo. Entramos literalmente na discussão que por princípio pressupõe que, quem tem mais argumentos, ganha!

Imagino que com certeza você também já vivenciou isso: pessoas que dizem “querer conhecer o seu ponto de vista”. Na verdade querem é mesmo te convencer de que a maneira como elas pensam é a mais adequada! Armadilha pura!

O Diálogo, coisa rara ultimamente, exige composição ao invés de confronto estimulando que juntos possamos criar um novo olhar. Enquanto a discussão exclui o ponto de vista “perdedor”, o diálogo busca somar ao invés de definir se é o meu ou seu ponto de vista que está correto. Ele busca construir, a partir dos nossos pontos de vista, um terceiro ponto de vista, formado a partir daquilo que cada pessoa conhecia. Bem diferente, não é?

O que são Paradigmas?

Apesar da diferença entre discussão e diálogo ser bem conhecida (tal qual a teoria sobre os paradigmas) porque mesmo assim é tão difícil construir novos olhares, novos pontos de vista, diálogos ao invés de discussões? Para responder a isso vamos começar da definição do que são paradigmas.

Paradigma vem do grego paradeigma que quer dizer modelo ou padrão, tratando-se de algo que vai servir de modelo ou exemplo a ser seguido em determinada situação.

A partir das crenças que aprendemos na infância passamos a reconhecer o nosso mundo. Criamos então filtros que são os óculos que utilizamos tanto para perceber, quanto para confirmarmos aquilo que consideramos verdade pra nós, nosso ponto de vista: tudo isto pode ser chamado de paradigma.

“O processo para romper um paradigma incutido ainda na infância é doloroso, ainda mais quando este representava felicidade.”

Paradigmas: bons ou ruins?

Tais quais as crenças, os paradigmas podem ser bons ou ruins e isso depende muito mais do contexto em que estão sendo aplicados do que do próprio paradigma. Qualquer paradigma passa a ser ruim quando nos congela ou cristaliza em um único olhar, um único ponto de vista. É muito comum então pessoas acreditarem que é indispensável a quebra de paradigmas e que são eles o inimigo, porém não necessariamente isto deve ser feito. Como disse, depende do contexto e dos resultados. Quando mudamos a situação um paradigma ótimo pode ser catastrófico!

Ainda na definição é importante perceber que tal qual um óculos de Sol irá filtrar os raios solares antes que cheguem aos nossos olhos, qualquer estímulo externo será “filtrado” pelos nossos paradigmas. Impossível então não percebermos tudo o que vier “de fora”, tudo o que acontecer em nossa vida a partir do nosso (limitado) olhar, do nosso ponto de vista. Sim, infelizmente somos reféns de nosso paradigmas.

Desta forma, todas as coisas que nós percebemos, através das nossas experiências, através dos nossos sentidos, das nossas emoções, da intuição, da razão, tudo, exatamente tudo passam por filtros: os nossos paradigmas. Assim como uma criança pequena que não tem um paradigma de olhar antes de atravessar a rua, sem saber o perigo que ela está correndo, nós também não teremos um paradigma de uma cultura que nunca vivemos. Simplesmente não entenderemos os hábitos e os costumes que lá existem.

Mapa versus Território

Os paradigmas são como mapas. Sabemos que “um mapa não é um território”. Um mapa é simplesmente uma explicação de certos aspectos do território, não é? Se tivermos que nos deslocar em uma cidade com um mapa de outra cidade, o mapa errado irá nos atrapalhar e não nos ajudar.

Podemos mudar nosso comportamento. Tentar com mais empenho, ser mais dedicados, aumentar horas trabalhadas. Tais esforços, entretanto, só serviriam para nos levar mais depressa ao lugar errado. Mesmo com atitude positiva continuaríamos perdidos.

Pensamos que vemos os fatos clara e objetivamente, e depois nos damos conta de que os outros os vêem diferentemente, porém de modo aparentemente tão claro e objetivo quanto o nosso.

“Vemos o mundo como nós somos.”

Cada um de nós tem a tendência para pensar que vê as coisas como elas são. Mas não é bem assim. Vemos o mundo não como ele é, mas como NÓS SOMOS – ou melhor, como FOMOS CONDICIONADOS A VÊ-LO!

De que forma posso ampliar ou flexibilizar meus Paradigmas?

É possível sim aprender novos paradigmas, ampliar outros e ser mais flexível em nossas vidas e decisões. Listo algumas abaixo:

  • Leia outros livros que não costuma ler
  • Assista filmes de diferentes culturas e de gosto diferente do seu
  • Viaje para lugares que te possibilitem a conhecer outras culturas
  • Experimente sabores diferentes
  • Conviva com pessoas com pensamentos e ideologias diferentes
  • Ouça com a intenção de acolher – que é muito diferente de concordar – acolher é respeitar o ponto de vista do outro!
  • Busque treinamentos sobre autoconhecimento
  • Escove os dentes com sua mão não dominante
  • Aperte o pedal do freio com o pé esquerdo (cuidado aqui – faça isso com o carro bem devagar e um local deserto)

Vale lembrar que devemos “desligar” o julgamento. Nosso juiz interno está sempre de plantão para definir o certo do errado e nossa intenção, quando experimentarmos coisas novas, não é discutir se é amarelo ou verde, quem está certo e quem está errado! Também lembre-se de que só VOCÊ pode ampliar seu ponto de vista, pois enquanto VOCÊ não se decidir que aquilo pode ser amarelo, ninguém vai fazer com que você mude.

“Ninguém transforma ninguém e ninguém se transforma sozinho: nós nos transformamos no encontro.”

Nessa frase de Roberto Crema ele nos lembra que mudamos no encontro; quando eu encontro com o outro é que eu começo a ver possibilidades de mundos diferentes daquele que eu acredito. Quanto mais contato com outras culturas, quanto mais eu flexibilizar meu ponto de aglutinação da consciência através de vivências, treinamentos, experiências, etc, mais eu vou ser flexível e sensível a mundos e pensamentos diferentes dos meus.

As Naus Portuguesas e as Tainhas

Quando as Naus de Portugal se aproximavam do litoral brasileiro, diz o conto, que os nativos não conseguiam vê-las. O Xamã da tribo percebe uma movimentação diferente no mar. Existe alguma coisa diferente ali, mas eles não enxergavam as Naus. O que isso quer dizer? Quer dizer que eles não tinham um filtro para comparar e então identificar qualquer coisa diferente do que eles conheciam, para compreender aquele tipo de navegação.

Mas os colonizadores também não tinham paradigmas para entender a cultura local sobre plantio, moradia e alimentação. Trataram logo de classificar a cultura nativa como “primitiva” por não se encaixar no sua visão de mundo. O resultado foi a ação de um paradigma europeu predominando ao paradigma local. Hábitos e costumes foram transformados (a força) incluindo a domesticação de muitas plantas e alimentos. É só você observar a origem do que comemos hoje! Sim, muita coisa boa se perdeu nessa briga de paradigmas.

Um outro exemplo local da nossa Ilha da Magia (Florianópolis) é dos pescadores. Eles enxergam um cardume de Tainhas chegando ainda muito distante da costa. Alguém não acostumado não vai notar nada de diferente, nem sequer uma marola, muito menos a chegada do cardume.

São nossos filtros determinando nossa visão de mundo, nossos limites e nossas decisões.

Só depende de você!

Se você não estiver disposto a ampliar seus limites, jamais irá enxergar o que é diferente, mesmo diante dos seus olhos. Você preferirá dizer, “isso nunca foi assim na minha vida, não é agora que vai ser”. Você mesmo impõe o seu próprio limite. Sem disposição para novos olhares, nada mudará.

Se mudar ainda para você é quase uma tortura lembre-se que faz parte da essência do ser humano mudar! Pelo caminho do amor ou o caminho da dor seremos convidados a mudar, a expandir nossas consciências. É disso que a vida é feita!

Já se você é do time que adora mudar, lembre-se que muitos aspectos que nos guiam são totalmente inconscientes. Nos resta então buscar o caminho do autoconhecimento, afinal não temos controle sobre o inconsciente. Precisamos trazê-lo a luz da consciência.

Independente do seu time lembre-se que nossa evolução em relação aos nossos paradigmas possibilitará maior cooperação, inclusão e melhores resultados para todos os seres humanos. E continua tudo isso só dependendo de nós mesmos! E da nossa expansão de consciência e de olhares.

“Os problemas significativos com os quais nos deparamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando eles foram criados.”

Encerramos esse artigo com essa frase memorável de Albert Einstein. Se você gostou desse artigo sugiro que você leia o artigo  sobre Crenças Limitantes e As Crenças e o Ego Ideal. Lá você entenderá aspectos inconscientes que influenciam, e muito, nossas vidas.

Se você está gostando do nosso Blog deixe um comentário ou mande um direct para o instagram @fabioamaraldux. Terei o maior prazer em te responder!

Um forte abraço e até o próximo artigo!

1 responder
  1. Fabio Amaral Vicentini
    Fabio Amaral Vicentini says:

    Sempre muito bom refletir como ao mesmo tempo temos controle e estamos a mercê dos paradigmas. Interessante como nosso cérebro e nossa mente funcionam. Muito bom mesmo!!!

    Responder

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