Para podermos descrever a relação entre nossas Crenças e nosso Ego Ideal primeiro precisamos entender como o Ego se estrutura, afinal não nascemos com um Ego. O processo de individuação passa pela formação de um Ego estruturado e isso não é patológico e sim perfeitamente normal no desenvolvimento da nossa psiquê.

Então vamos lá!

Desenvolvimento do Ego

Ao nascermos somos uma bola de energia irradiando essa energia para todos os lados, mas um dia percebemos que nossos pais, nossos avós, nossos irmãos, pessoas importantes próximas a nós, não apreciam partes que temos em nós. Para conservar o amor daqueles que amamos, literalmente escondemos essas partes em um tipo de sacola invisível. Continuamos interagindo em nossa jornada e continuamos guardando coisas na nossa sacola. Esse é o início da formação da nossa Sombra individual, ou seja, reprimimos parte de nossa personalidade em benefício do nosso Ego ideal, que acreditamos, irá nos trazer amor e reconhecimento.

Algumas de nossas maiores crenças nascem acompanhando nosso processo de estruturação do Ego ideal e passam a atuar como proteções para nossa visão de mundo. Elas surgem do encontro do nosso Eu – enquanto tendência potencial da personalidade – e a realidade externa, da experiência entre o certo e o errado, base para a auto aceitação. Nossas primeiras crenças surgem então do início de nossa aceitação externa – a criança aceita a si mesma em termos de adequação. Essa aceitação não significa uma boa ou má experiência e sim uma experiência que proporcionou adequação e reconhecimento, mesmo que tenhamos sido mal tratados naquela experiência.

A Repressão do “Errado”

O desenvolvimento do Ego baseia-se na repressão do “errado” ou do “mau”e na promoção do “bom” – sempre pelo olhar de quem está vivendo ou estruturando o Ego. Também nesse processo utilizamos os “tabus” e os padrões morais coletivos que experimentamos. Uma vez que definimos o Ego ideal criamos também nossas Crenças, que serão os filtros para julgarmos o que é “bom” afastando o que julgamos “mau” para nós mesmos.

As crenças fazem um papel muito importante, pois protegem, tal qual nosso Ego, nossa vida estruturada. Sem elas é muito difícil convivermos harmonicamente nesse planeta. Nesse caso, podemos entende-las como mecanismos naturais de proteção. Elas nos mantém vivos dentro de um aspecto onde nos reconhecemos, então não “enlouquecemos” e conseguimos viver nesse mundo.

O ser humano necessita de seu Ego estruturado e esse necessita de suas crenças para não “enlouquecer”, mas nós não somos nosso Ego e nem tão pouco somos nossas crenças. Porém é importante entendermos que a principal função do Ego é manter o que já está estabelecido, qualquer mudança será entendido pelo Ego como uma ameaça!

Qualidades Reprimidas

O problema das qualidades reprimidas é que, por serem incompatíveis com os ideais da persona por nós criada, não são eliminadas e nem deixam de agir em nossas vidas. E aí as crenças atuam fortemente como impulsos ou padrões de comportamentos que buscam manter o Ego ideal e esconder nossa Sombra, sendo assim, quanto mais rígidas são nossas crenças mais rígido será nosso Ego e vice-versa.

E quando nosso Ego assume o comando, temos um problema. Ele se torna nosso carcereiro, decidindo por nós, ao invés de nosso protetor.

Para evitar que essas qualidades reprimidas se voltem contra nós devemos aprender a ampliar nossa consciência, modificando nossas crenças através de treinamentos, novas experiências e vivências ampliando nosso olhar sobre o mundo e consequentemente modificando nosso comportamento e nossos resultados.

Infinitas Possibilidades

Em resumo, estamos sempre, de alguma forma, limitados ao nosso próprio olhar, a nossa própria experiência, as nossas crenças. E isso não é problema algum. Porém, acreditar que esse é o único caminho aí sim é um grande problema! Para cada situação, cada decisão, cada ação na vida existem infinitas possibilidades. É isso mesmo! Vivemos em um universo de infinitas possibilidades, mas muitas delas eu só conseguirei perceber se me permitir ampliar meu sagrado ponto de vista. E para isso é necessário trabalhar minha consciência visando amplia-la.

Mas como fazer isso? Não se prendendo a um único ponto de vista e buscando experimentar coisas novas, assistindo filmes que não costumamos ver, experimentando novos hábitos, novas experiências, novos sabores, etc, porque é disso que a vida é feita. E é para isso que estamos nesse Planeta. Para sermos o melhor que pudermos concretizando nosso propósito de vida, e esse é um trabalho para nossa Essência e não para o Ego!

Crenças Limitantes