Caderno com Papel de Pão

Nasci em uma família modesta e fui educado por avós italianos. Esses dois fatores da minha origem me fizeram experimentar vários aspectos que, na minha infância, foi no mínimo desafiador para mim! Estudante de escola pública, meus livros eram os herdados dos meus irmãos mais velhos e meus cadernos eram feitos por minha avó com folhas de papel de pão – aquelas que envolviam os pães e que para muitos virava lixo (alguns leitores com certeza não tem nem ideia, afinal já faz tempo, mas era um papel acinzentado de boa gramatura). Para minha avó aquele “papel de pão” era um ótimo material para se fazer um caderno – para mim era terrível!!! Eu estava muito mais preocupado com o que meus colegas iriam achar daquilo (eu estava preocupado em PARECER). Já meus pais e meus avós estavam preocupados com o desenvolvimento do meu Caráter. Eu obviamente não entendia e não compreendia. Hoje eu agradeço por ter tido na minha educação conceitos tão poderosas que trataremos no artigo dessa semana.

O que é “Ética do Caráter “?

A ética do caráter é um estilo de vida muito conhecido pelos nossos antepassados e predominou durante muito tempo em nossa civilização; é um estilo de vida onde o que importava era o que realmente e verdadeiramente éramos! Um jeito de viver que nos trazia honra e paz de espírito. O caráter norteava todas as atitudes, orientando o dia a dia e fazendo com que as decisões fossem baseadas no que realmente era justo e certo, independente das circunstâncias.

A Ética do Caráter nos ensina então a cultivar aquilo que usualmente é invisível aos outros, porém é duradouro e facilmente percebido nas relações de real importância. A preocupação na ética do caráter é com as raízes (ou valores) que estão sendo construídas, pois é isto que irá perpetuar quando as dificuldades vierem – e com certeza elas virão. Por se tratar de cultivar as raízes, viver segundo a Ética do Caráter é um processo lento e demorado que requer cultivo, aprendizado e dedicação de longo prazo. Não são admitidos atalhos que possam colocar em risco o próprio caráter. Entre o caminho correto e o caminho fácil, sempre a opção pelo caminho correto será a escolhida quando vivemos de acordo com a Ética do Caráter.

As Poderosas Sequóias!

Uma boa analogia, citada por Stephen Covey, em seu livro Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, é a das Sequoias, onde ele diz que “árvores com raízes fracas não suportam a tempestade” afirmando que as sequoias jamais seriam árvores grandiosas e centenárias sem possuir raízes verdadeiramente fortes. O mesmo também vale para pessoas e organizações, afirma o autor.

A ética do caráter está voltada para dentro, para algo interior e profundo do que somos. Perder o que somos era considerado tão trágico que o caminho escolhido era sempre cuidadosamente alinhado com nosso próprio caráter, caminhos mais fáceis, que exijam abrir mão de nosso caráter, significavam abrir mão da própria alma, da própria vontade de viver!

Agora se você pensa que essa Ética do Caráter é algo antigo e que não se aplica nos dias de hoje, se engana profundamente! Na era da informação em que vivemos talvez esse comportamento nunca foi tão necessário e desejado! Pessoas, profissionais, líderes e gestores que norteiam suas vidas por esse estilo de vida são sempre respeitados, mesmo em tempos que exijam decisões difíceis!

“Para ser ético, pois, é necessário ter algum tipo de fé. Isso não significa que se deve, necessariamente, possuir fé religiosa, mas que se deve acreditar em algum valor intangível, de alto significado moral, como bondade, caridade, sinceridade, honestidade”

A “Ética da Personalidade” ganha força!

Nos últimos 100 anos (talvez um pouco mais ou um pouco menos, afinal foi gradativo) a ética do caráter passou a perder espaço para a ética da personalidade. Em outras palavras passamos a nos importar mais com o “parecer” do que realmente “ser”.

Como dizia minha querida e amada avó paterna:

“Por fora bela viola! Por dentro, pão bolorento!!!”

Com a ética da personalidade o que mais passa a importar é o que você parecer ser, o que você diz que é e o que as pessoas acreditam que você seja baseando-se nas suas posses, nas suas roupas, na sua fala, nas suas técnicas. Algo que pode estar muito longe do que realmente você seja, porém que convence pelas aparências. Um bom exemplo é: fazer um bom curso de oratória e falar maravilhosamente sobre algum assunto que na verdade você não domina (quase não vemos isso hoje em dia na internet, não é?).

Um negociante que apesar de nunca ter exercido uma determinada função, se vestir de forma pomposa, dirigir um bom carro e falar com propriedade daquilo que na verdade não conhece convencendo tudo e todos a confiar no seu discurso! Na Ética do Caráter isso seria considerado “picaretagem”. Hoje esse negociante pode encontrar acolhimento e até ser enaltecido!

Outro exemplo é dirigir o carro do ano, morar em um bairro de classe alta, ter uma linda fachada da empresa, mesmo que tudo isso esteja financiado, passam a ser mais importantes do que que as reais condições – que muitas vezes não sejam compatíveis com toda essa pompa!

As Aparências Enganam

A Ética da Personalidade é orientada pelas aparências e usualmente não garantem robustez nas relações, ou em outras palavras, não constroem raízes fortes; pelo contrário! Nas turbulências não espere encontrar coerência em tais pessoas – você com certeza já contratou “expertises” que foram uma tremenda dor de cabeça!

A ética da personalidade está orientada para fora, onde é preciso agradar a tudo e a todos para ser reconhecido por aquilo que não necessariamente eu seja, mas no que as pessoas acreditam, tendo como base naquilo que mostro nas redes sociais, com quem ando, através do que falam de mim, de que maneira eu me visto e me exponho, onde e como gasto o meu dinheiro, tornando isso mais relevante do que meus valores, minha ética e minha honra.

Caso você tenha alguma dúvida sobre esses dois tipos de Éticas abordados nesse artigo, deixe um comentário ou mande um direct para o instagram @fabioamaraldux que terei o prazer de te responder! Também fique de olho na postagem da semana que vem que abordará um pouco mais a fundo essas duas Éticas, que por mais que tenham nomes semelhantes, são extremamente diferentes: afinal, quais as vantagens em adotar cada uma dessas Éticas? Ah, tem um vídeo no meu Canal no YouTube tratando também sobre esse tema. Acessa lá e confira: Liderar SA – Fabio Amaral Um forte abraço e até o próximo artigo.