Caso você ainda não tenha acessado nossa última postagem que explica e conceitua esses dois tipos de Ética, sugiro que você leia primeiro (clique AQUI) e depois retorne para esse artigo.

Mas velocidade é importante!

Ao utilizar a Ética da Personalidade em nossa vida profissional, o ritmo e os resultados aparecerão muito mais rapidamente! Mas o que há de mal nisso? O problema é que podemos nos perder ao entrar em conflito entre o que dizemos ser e o que realmente somos. Você pode parecer ser outra coisa por algum tempo, mas não para sempre!

Já com a Ética do caráter usualmente os resultados serão muito mais lentos, pois aquilo que falamos e fazemos está diretamente ligado àquilo que realmente somos, tornando assim mais coerente a nossa própria vida. A demora deve-se  ao esforço de focar na qualidade do que será entregue ou comercializado e só depois esperar os resultados, afinal primeiro plantamos para depois colher!

Vamos imaginar uma venda de produto via internet: um infoprodutor que se oriente pela Ética da Personalidade será muito mais agressivo. Não terá pudor algum em se parecer com alguém competente, apesar de não ser, e lançar algo que ele não domine. Ele conseguirá enganar alguns, às vezes muitos, mas em algum momento sua falta de coerência ficará evidente. Ah, mas ele ficará rico. Pode até ser, mas a conta sempre vem. De um jeito ou de outro!

Já um infoprodutor que se guie pela Ética do Caráter tomará todos os cuidados para produzir um conteúdo que realmente esteja alinhado com aquilo que ele estudou, aplicou e conhece. Por dominar plenamente o que ele se propõe a vender ele resistirá em adotar técnicas que iludam e seus resultados serão mais lentos, porém com muito mais responsabilidade e que irá resguardar sua integridade.

E quanto a Robustez?

Em termos de robustez e consistência dos resultados a curva se inverte. A Ética do caráter usualmente nos levará muito mais longe, pois aquilo que falamos e fazemos está diretamente ligado àquilo que realmente somos, tornando assim mais coerente a nossa própria vida.

Já na Ética da Personalidade, com o passar do tempo, os esforços serão cada vez maiores para sustentar aquilo que tentamos desesperadamente parecer ser, mas realmente não somos. O resultado a médio e longo prazo será a fragilidade daquilo que foi construído. É como construir uma casa sem uma estrutura sólida.

As Éticas na Adolescência

Na época da adolescência, é natural o nosso comportamento estar voltado para a Ética da Personalidade. É uma fase que chegamos na escola preocupado com o lápis e o caderno que vamos usar, se estamos vestidos de acordo com os descolados ou não, se gostarão ou não do nosso cabelo, e por ai vamos.

Estamos assim muito voltados para fora porque estamos buscando nos afirmar e o único espelho que conhecemos, nesse fase, é o espelho social. Esse é um processo de desenvolvimento pessoal naturalmente normal. Mas é só analisar um jovem adolescente e ficará claro quando ele está tentando PARECER e se esquecendo de SER. Até ai, tudo normal.

O problema é que se amadurecermos e não aprendermos a ter paciência para cultivar reais valores e princípios não construiremos raízes e bases fortes para enfrentar as dificuldades da vida. PARECER até funciona na adolescência, mas com certeza não funcionará na vida adulta. Nos faltará base para quando as tempestades chegarem e tombaremos desesperados sem saber o que fazer: nossa máscara foi ao chão!

A Empresa e a Ética

No âmbito empresarial, quando os donos das empresas resolvem se envolver com as associações ou agremiações, podem se perder e chegar no extremo de abandonar suas próprias empresas por querer impressionar outras pessoas que nada tem a ver com seu negócio, porém conquistam um status, uma aparência que na verdade não importa, afinal status não paga boletos.

Muitas de nossas relações empresariais são voltadas para a aparência, valorizando o que nossas empresas parecem ser e nem sempre isso é o que realmente importa ou que trará prosperidade e perpetuidade. O ápice desse comportamento dentro das empresas é o hábito de perseguir o faturamento sem dar a devida importância para a lucratividade que é o que realmente importa!

O status de ser um grande empresário, ou de ser uma “celebridade”, reconhecida, pode custar muito caro e ficar inviável de sustentar – quem paga a conta (e sofre) usualmente é a empresa.

Também podemos ver o conflito entre as Éticas no lançamento de produtos ou nas promessas vazias. Vender uma vez é fácil. O difícil é conseguir se manter no mercado por décadas! Ou vai me dizer que você já não se sentiu ludibriado por uma promessa não realizada? É a corrida do vale tudo e a diferença gritante entre conquistar um novo cliente e manter clientes. Qual você acredita que é mais barato?

Somos encantados pelo parecer?

Atualmente, com o aumento do uso das mídias sociais temos uma experiência diuturna sobre a Ética da Personalidade: uma enxurrada de promessas de vida fácil sendo despejadas sobre todos nós, fazendo com que as pessoas sigam cada vez mais orientadas para o espelho social orientando-se cada vez mais para fora, para os padrões sociais instituídos, sem realmente se questionar se aquele é um caminho válido para elas.

O caminho da Ética da Personalidade nos convida para um caminho de atalhos! Nos vende receitas milagrosas e pílulas mágicas! Apesar de existirem carreiras e empresas que cresceram exponencialmente, normalmente isso demandou muito suor e dedicação. Tal qual as raízes de uma árvore que não são vistas, o esforço e o suor realizado para se construir uma carreira usualmente também é invisível aos outros.

O sucesso oferecido pela Ética da Personalidade é muito tentador e as pessoas se encantam porque aliam o caminho da Ética do Caráter à um caminho muito pesado, sofrido e demorado, o que nem de longe é verdadeiro!

Apesar de toda essa tendência social o que faz com que o PARECER seja tão tentador é que todos nós temos nossos déficits emocionais adquiridos em nossa jornada. Alguns desses complexos foram formados em nossa primeira infância. Por desconhecer uma forma de resignificar essas questões buscamos desesperadamente preencher esses “vazios emocionais” mudando do lado de fora. Simplesmente desconhecemos um caminho para dentro de nós mesmos, aonde todas as respostas estão disponíveis. Só eu posso construir o meu interior. Já o exterior eu consigo “mandar comprar”.

“5% de inspiração e 95% de transpiração”

Um convite para você

A Ética do Caráter, em determinado momento da nossa vida vai fazer um convite para uma profunda reflexão. Irá nos fazer questionar a nós mesmos sobre o que essa aparência tem trazido de positivo para nossa vida? O problema não é o carro que nós andamos ou a roupa que usamos, o problema é acreditarmos que o carro e a roupa definem quem somos!

O problema é passar a ser escravo das nossas aparências – e isso infelizmente não preenche o vazio interno. Muitas pessoas bem sucedidas mergulham na depressão por conquistar o fora sem respaldo do que possuem dentro de si mesmas!

Para nos aprofundarmos na Ética do Caráter é necessário um trabalho de autoconhecimento. Requer muita vontade de mexer nos sentimentos mais profundos, nos segredos mais ocultos e sombrios para construir raízes sólidas e, sim, isso leva um bom tempo.

“Líderes são forjados no fogo e não no mel!”

Muitas pessoas passam a vida construindo um mundo de fachada. Mas um belo dia olham para tudo aquilo e percebem que há um vazio gigante! “Mas me disseram que se eu tivesse uma boa faculdade, um belo casamento, comprasse uma casa grande, tivesse filhos, eu seria plenamente feliz”! Ledo engano!

Nem sempre percebemos esse comportamento facilmente e continuamos olhando para fora. De alguma forma tentamos suprir este buraco, trabalhando mais, adquirindo mais, comendo mais. Noutras vezes, caindo nas drogas e nos excessos tentando desesperadamente dar um sentido a nossa vida!

Mas como resolvo esse vazio?

Nos momentos que reconhecemos nosso lado frágil, nos fortalecemos. Porém na perspectiva da Ética da Personalidade isso sempre será uma fraqueza, e se é uma fraqueza não devemos falar e nem tampouco compartilhar com outras pessoas nossas angústias.

Nos últimos 15 anos tenho facilitado grupos de autoconhecimento e acredito na potência do trabalho em grupos. É possível se despir moralmente. Abrir nosso coração, chorar nossas mágoas e olhar para dentro de si procurando nossas verdadeiras raízes em um ambiente controlado.

Faz bem estar em um local onde é possível trazer pedaços de si mesmo e compartilhar: “me sinto sem saída, fracassado e sem energia”! Ou “não tenho vontade para nada”. Ou ainda “achei que acontecia só comigo ou na minha empresa!”.

Também compartilhar conquistas e alegrias reforçando que esse caminho demanda tempo e energia, porém é duradouro e sólido: “sim foi difícil, mas consegui! Só não sei porque não fiz isso antes”. Ou “não existe mágica; existe sim um ampliar de consciência e trabalho duro”. Ou ainda “quando voltamos nosso olhar para dentro de nós mesmos encontramos lá todas as respostas que procurávamos fora.

É preciso treinar e querer agir de acordo com a Ética do Caráter fortalecendo nossas raízes, nosso interior que, usualmente é invisível aos outros, mas é onde reside nosso verdadeiro Poder Pessoal.

E agora? O que fazer?

Compreender essa dança entre a Ética do Caráter e a Ética da Personalidade muda nossa visão e nossos conceitos. É normal olhar para a fora e acreditar que se conseguirmos comprar aquele carro dos sonhos estaremos conquistando sucesso. Não deixa de ser uma recompensa pelo nosso esforço.

Noutra fase da vida nós podemos preferir ter um momento com os amigos e tomar um bom vinho. Tornar nossa empresa mais leve e enxuta, menos evidente, mas muito mais saudável. Querer crescer sem atropelar tudo e todos requer sabedoria e uma orientação clara para aquilo que é duradouro.

Decidindo pela Ética

Um bom exercício, quando uma decisão deve ser tomada, de cunho empresarial/profissional,  é perguntar a si mesmo:

  • O que essa decisão irá mudar na sua vida?
  • O que isso tem a ver com os objetivos já definidos?
  • Esse caminho tem coração pra você?
  • O suposto resultado oriundo dessa decisão me trará mais felicidade/tranquilidade ou mais sufoco/correria?

O objetivo aqui é verificar se essa tomada de decisão é puramente egóica. “Ah estou fazendo porque o concorrente está fazendo”. “Estou fazendo porque fui em uma palestra e todo mundo está fazendo e eu tenho que fazer”! Ou se é uma decisão que está alinhada com nossa Missão de Alma, nossa Missão de Vida.

Uma dica simples é: uma decisão egóica te leva a querer convencer os outros. Uma decisão centrada te trará tranquilidade e paz mesmo que você não saiba explicar o porquê – simplesmente faz sentido!

Não se deixe levar pelo canto da sereia! No fim de tudo os boletos serão pagos por você e não pelos outros!

Se você gostou desse artigo não deixe de nos dizer qual parte mais te interessou!!! Deixe seu comentário, ou me envie um direct no instagram @fabioamaraldux. Vai ser um prazer conversar um pouco mais sobre o assunto.

Um forte abraço e até o próximo artigo!