Hoje abordaremos o tema Paradigmas que inquieta tantas pessoas e deixa tantas dúvidas pairando por aí. Para entender mais sobre o que eles são e como podemos amplia-los é só seguir lendo!

Discussão ou Diálogo?

Você possivelmente já discutiu com uma pessoa bem próxima a você e de repente se pegou perguntando “como essa pessoa pode pensar assim?”. Em épocas de eleições isso é muito comum e ultimamente, infelizmente, vivemos uma época de polarização muito forte entre diferentes pontos de vista ao redor do planeta!

Mas afinal porque isso acontece? Porque as pessoas discutem tanto e entram em pé de guerra?! São os nossos paradigmas influenciando nossas vidas muito mais do que gostaríamos (e por que não dizer) e do que temos consciência. Sem perceber nossos paradigmas guiam nossas decisões e entramos na defesa daquilo que entendemos como o nosso mundo. Entramos literalmente na discussão que por princípio pressupõe que, quem tem mais argumentos, ganha!

Imagino que com certeza você também já vivenciou isso: pessoas que dizem “querer conhecer o seu ponto de vista”. Na verdade querem é mesmo te convencer de que a maneira como elas pensam é a mais adequada! Armadilha pura!

O Diálogo, coisa rara ultimamente, exige composição ao invés de confronto estimulando que juntos possamos criar um novo olhar. Enquanto a discussão exclui o ponto de vista “perdedor”, o diálogo busca somar ao invés de definir se é o meu ou seu ponto de vista que está correto. Ele busca construir, a partir dos nossos pontos de vista, um terceiro ponto de vista, formado a partir daquilo que cada pessoa conhecia. Bem diferente, não é?

O que são Paradigmas?

Apesar da diferença entre discussão e diálogo ser bem conhecida (tal qual a teoria sobre os paradigmas) porque mesmo assim é tão difícil construir novos olhares, novos pontos de vista, diálogos ao invés de discussões? Para responder a isso vamos começar da definição do que são paradigmas.

Paradigma vem do grego paradeigma que quer dizer modelo ou padrão, tratando-se de algo que vai servir de modelo ou exemplo a ser seguido em determinada situação.

A partir das crenças que aprendemos na infância passamos a reconhecer o nosso mundo. Criamos então filtros que são os óculos que utilizamos tanto para perceber, quanto para confirmarmos aquilo que consideramos verdade pra nós, nosso ponto de vista: tudo isto pode ser chamado de paradigma.

“O processo para romper um paradigma incutido ainda na infância é doloroso, ainda mais quando este representava felicidade.”

Paradigmas: bons ou ruins?

Tais quais as crenças, os paradigmas podem ser bons ou ruins e isso depende muito mais do contexto em que estão sendo aplicados do que do próprio paradigma. Qualquer paradigma passa a ser ruim quando nos congela ou cristaliza em um único olhar, um único ponto de vista. É muito comum então pessoas acreditarem que é indispensável a quebra de paradigmas e que são eles o inimigo, porém não necessariamente isto deve ser feito. Como disse, depende do contexto e dos resultados. Quando mudamos a situação um paradigma ótimo pode ser catastrófico!

Ainda na definição é importante perceber que tal qual um óculos de Sol irá filtrar os raios solares antes que cheguem aos nossos olhos, qualquer estímulo externo será “filtrado” pelos nossos paradigmas. Impossível então não percebermos tudo o que vier “de fora”, tudo o que acontecer em nossa vida a partir do nosso (limitado) olhar, do nosso ponto de vista. Sim, infelizmente somos reféns de nosso paradigmas.

Desta forma, todas as coisas que nós percebemos, através das nossas experiências, através dos nossos sentidos, das nossas emoções, da intuição, da razão, tudo, exatamente tudo passam por filtros: os nossos paradigmas. Assim como uma criança pequena que não tem um paradigma de olhar antes de atravessar a rua, sem saber o perigo que ela está correndo, nós também não teremos um paradigma de uma cultura que nunca vivemos. Simplesmente não entenderemos os hábitos e os costumes que lá existem.

Mapa versus Território

Os paradigmas são como mapas. Sabemos que “um mapa não é um território”. Um mapa é simplesmente uma explicação de certos aspectos do território, não é? Se tivermos que nos deslocar em uma cidade com um mapa de outra cidade, o mapa errado irá nos atrapalhar e não nos ajudar.

Podemos mudar nosso comportamento. Tentar com mais empenho, ser mais dedicados, aumentar horas trabalhadas. Tais esforços, entretanto, só serviriam para nos levar mais depressa ao lugar errado. Mesmo com atitude positiva continuaríamos perdidos.

Pensamos que vemos os fatos clara e objetivamente, e depois nos damos conta de que os outros os vêem diferentemente, porém de modo aparentemente tão claro e objetivo quanto o nosso.

“Vemos o mundo como nós somos.”

Cada um de nós tem a tendência para pensar que vê as coisas como elas são. Mas não é bem assim. Vemos o mundo não como ele é, mas como NÓS SOMOS – ou melhor, como FOMOS CONDICIONADOS A VÊ-LO!

De que forma posso ampliar ou flexibilizar meus Paradigmas?

É possível sim aprender novos paradigmas, ampliar outros e ser mais flexível em nossas vidas e decisões. Listo algumas abaixo:

  • Leia outros livros que não costuma ler
  • Assista filmes de diferentes culturas e de gosto diferente do seu
  • Viaje para lugares que te possibilitem a conhecer outras culturas
  • Experimente sabores diferentes
  • Conviva com pessoas com pensamentos e ideologias diferentes
  • Ouça com a intenção de acolher – que é muito diferente de concordar – acolher é respeitar o ponto de vista do outro!
  • Busque treinamentos sobre autoconhecimento
  • Escove os dentes com sua mão não dominante
  • Aperte o pedal do freio com o pé esquerdo (cuidado aqui – faça isso com o carro bem devagar e um local deserto)

Vale lembrar que devemos “desligar” o julgamento. Nosso juiz interno está sempre de plantão para definir o certo do errado e nossa intenção, quando experimentarmos coisas novas, não é discutir se é amarelo ou verde, quem está certo e quem está errado! Também lembre-se de que só VOCÊ pode ampliar seu ponto de vista, pois enquanto VOCÊ não se decidir que aquilo pode ser amarelo, ninguém vai fazer com que você mude.

“Ninguém transforma ninguém e ninguém se transforma sozinho: nós nos transformamos no encontro.”

Nessa frase de Roberto Crema ele nos lembra que mudamos no encontro; quando eu encontro com o outro é que eu começo a ver possibilidades de mundos diferentes daquele que eu acredito. Quanto mais contato com outras culturas, quanto mais eu flexibilizar meu ponto de aglutinação da consciência através de vivências, treinamentos, experiências, etc, mais eu vou ser flexível e sensível a mundos e pensamentos diferentes dos meus.

As Naus Portuguesas e as Tainhas

Quando as Naus de Portugal se aproximavam do litoral brasileiro, diz o conto, que os nativos não conseguiam vê-las. O Xamã da tribo percebe uma movimentação diferente no mar. Existe alguma coisa diferente ali, mas eles não enxergavam as Naus. O que isso quer dizer? Quer dizer que eles não tinham um filtro para comparar e então identificar qualquer coisa diferente do que eles conheciam, para compreender aquele tipo de navegação.

Mas os colonizadores também não tinham paradigmas para entender a cultura local sobre plantio, moradia e alimentação. Trataram logo de classificar a cultura nativa como “primitiva” por não se encaixar no sua visão de mundo. O resultado foi a ação de um paradigma europeu predominando ao paradigma local. Hábitos e costumes foram transformados (a força) incluindo a domesticação de muitas plantas e alimentos. É só você observar a origem do que comemos hoje! Sim, muita coisa boa se perdeu nessa briga de paradigmas.

Um outro exemplo local da nossa Ilha da Magia (Florianópolis) é dos pescadores. Eles enxergam um cardume de Tainhas chegando ainda muito distante da costa. Alguém não acostumado não vai notar nada de diferente, nem sequer uma marola, muito menos a chegada do cardume.

São nossos filtros determinando nossa visão de mundo, nossos limites e nossas decisões.

Só depende de você!

Se você não estiver disposto a ampliar seus limites, jamais irá enxergar o que é diferente, mesmo diante dos seus olhos. Você preferirá dizer, “isso nunca foi assim na minha vida, não é agora que vai ser”. Você mesmo impõe o seu próprio limite. Sem disposição para novos olhares, nada mudará.

Se mudar ainda para você é quase uma tortura lembre-se que faz parte da essência do ser humano mudar! Pelo caminho do amor ou o caminho da dor seremos convidados a mudar, a expandir nossas consciências. É disso que a vida é feita!

Já se você é do time que adora mudar, lembre-se que muitos aspectos que nos guiam são totalmente inconscientes. Nos resta então buscar o caminho do autoconhecimento, afinal não temos controle sobre o inconsciente. Precisamos trazê-lo a luz da consciência.

Independente do seu time lembre-se que nossa evolução em relação aos nossos paradigmas possibilitará maior cooperação, inclusão e melhores resultados para todos os seres humanos. E continua tudo isso só dependendo de nós mesmos! E da nossa expansão de consciência e de olhares.

“Os problemas significativos com os quais nos deparamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando eles foram criados.”

Encerramos esse artigo com essa frase memorável de Albert Einstein. Se você gostou desse artigo sugiro que você leia o artigo  sobre Crenças Limitantes e As Crenças e o Ego Ideal. Lá você entenderá aspectos inconscientes que influenciam, e muito, nossas vidas.

Se você está gostando do nosso Blog deixe um comentário ou mande um direct para o instagram @fabioamaraldux. Terei o maior prazer em te responder!

Um forte abraço e até o próximo artigo!

Assumir as rédeas da sua vida!

Você sabe o verdadeiro significado de proatividade?

Proatividade significa ser responsável pelas minhas escolhas e suas respectivas consequências. É compreender que sou hoje, fruto das escolhas que fiz no passado e que colherei amanhã aquilo que estou plantando hoje. Simples assim. O que acontece na minha vida tem a ver com a minha vida e não com a vida do meu vizinho.

Mas isso é muita pressão!

Pode parecer em um primeiro momento, mas da mesma forma que eu tenho a responsabilidade eu também tenho toda a liberdade e o poder de construir aquilo que eu quero. O fato de assumirmos a responsabilidade de ser proativo gera uma liberdade dentro da gente e quando abraçamos a responsabilidade por nossas escolhas e claro, as suas respectivas consequências, geramos inicialmente um “peso” por admitirmos as responsabilidades por nossos atos. Com o tempo isso nos trará poder por termos liberdade de criar nosso próprio destino e ter a liberdade para definir aquilo que construiremos em nossas vidas.

“Nos acostumamos a entregar nosso destino nas mãos dos outros e a assistir passivamente reclamando que não temos aquilo que queremos (ou merecemos)!”

Assim, se eu não estou satisfeito com a minha vida e com o quê estou fazendo dela, basta eu construir os fatos de maneira diferente. Quanto mais proativo formos, mais proatividade traremos para nosso dia a dia e dessa forma, mais realizações teremos alcançado.

Ser ou não ser Vítima?

Outro ponto fundamental é, de uma vez por todas, detonar com o muro das lamentações, o famoso mi-mi-mi. Chega de ser reativo, ser vítima. Abra-se para o novo. Nesse momento, será fundamental prestar muita atenção na sua linguagem e suas atitudes. Por exemplo: quando você se pegar culpando-se ou tentando achar algum culpado para o que não está dando certo na sua vida, volte imediatamente.

Como já dizia Saint Exupery, “Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa”. Ou seja, o que acontece na sua vida tem haver contigo e com mais ninguém.

“Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa”

O hábito da proatividade nos convida a assumir as rédeas da minha vida e aprender com os resultados das minhas escolhas. Se o resultado for positivo, comemore, se presenteie, pois você merece. Ainda assim, quando nossas escolhas não trouxerem um resultado bom, ficamos calmos por saber que poderemos mudá-las na próxima oportunidade.

Não ficamos remoendo nem buscando culpados, pois o sentimento de vítima nos tira todo o poder e afunda cada vez mais. Ao invés de voltar às lamúrias, buscamos aprender com os erros e o que podemos fazer para que isso não se repita novamente.

Baseado nisso conseguimos visualizar que nossas escolhas determinam nossos destinos, porém muitas vezes reagimos a qualquer estímulo externo sem ao menos pensarmos a respeito.

Entre o estímulo e a resposta temos sempre a possibilidade da Escolha. Sendo assim, podemos escolher quais “presentes” aceitamos e quais não nos pertencem. Isso nos permite exercer nossa escolha ao invés de reagirmos mecanicamente. Outra questão importante é que cada escolha traz junto suas consequências e ao escolhermos somos responsáveis por ambas. Quer saber sobre as escolhas que optamos em nossas vidas?

“Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências.”

O que são crenças?

Crenças são tudo aquilo em que acreditamos. Por acreditarmos profundamente nelas, as crenças passam a fazer parte de nossas vidas e de alguma forma dão sentido a quem somos. Algumas delas nos foram passadas de gerações anteriores, outras foram criadas em tenra idade (quando éramos muito jovens) e outras continuam sendo criadas em nossas interações pessoais e profissionais todo santo dia! E existem ainda aquelas que adquirimos em função da cultura e do meio em que fomos criados. Independente de quando e como lhes construímos, o que importa aqui é que somos nós que, consciente ou inconsciente, formatamos essa crença. Mesmo que isso seja bem desagradável de aceitar!

É importante compreender que toda crença limitante tem sua origem em aspectos conscientes e inconscientes, ou seja, conseguimos nos lembrar da origem de algumas crenças que acreditamos ao lembrar da fala de nossos pais, por exemplo, mas não conseguimos muitas vezes perceber as influências emocionais que mantém aquela crença em momentos em que nos sentimos ameaçados em determinada situação.

Mas as crenças são boas ou são ruins?

Ironicamente, as crenças não são nem boas e nem ruins. Perguntar isso é equivalente a perguntar se a energia elétrica é boa ou ruim. No caso da energia elétrica ela se torna boa quando podemos tomar um bom banho quente ou ligar nossos aparelhos eletro-eletrônicos, mas pergunte para alguém que teve uma corrente elétrica circulando em seu corpo, por menor que tenha sido essa corrente, e talvez a resposta seja: não foi nada bom! O que importa então é o bom uso que fazemos e os resultados que alcançamos com a energia elétrica. E é assim também com nossas crenças, o que importa são os resultados que temos conseguido com nossas crenças e não necessariamente o rótulo que damos a elas.

Com essa mudança de perspectiva nosso foco deixa de ser as crenças e passa a ser os resultados que conseguimos ao utilizar essas crenças nas nossas relações e nas nossas vidas. Podemos concluir, então, que não existe realmente nenhuma crença que só tenha aspectos positivos ou negativos. Usualmente ela carrega os dois extremos, porém tudo depende de quem e de que uso será feito com tais crenças.

Esforço versus resultado

Focar nos resultados e não nas crenças pode soar estranho, vamos analisar uma crença considerada “boa” e altamente desejável por muitos e outra considerada “ruim” por ser confundida como falta de ambição.

Imagine que você acredita que consegue ser um profissional competente, se você acredita, isso é uma crença que você possui e que talvez sempre a tenha visto como algo “bom”. Mas daí você conquistou um bom emprego, desempenhou um bom papel profissional que lhe rendeu um alto cargo e um bom salário. Parece uma ótima crença, não? Mas e se essa crença fizer com que você deixe de lado todos os outros aspectos da sua vida pessoal? Simplesmente abrir mão de tudo o que não seja profissional. Amigos, família, saúde, lazer! Será que a crença continuará a ser saudável para você por muito tempo? Parece que não!

Por outro lado, se você acredita que não precisa ser um milionário e vive uma vida que, para você, está ótima dentro dos padrões que você estabeleceu para si e para sua família, que mal há nisso? Seria isso uma crença ruim? Falta de ambição? Para quem acredita e vive assim obviamente que a resposta seria não, porém para muitos que rodeiam essa pessoa, incluindo parentes e amigos, essa crença poderá ser vista como falta de iniciativa ou de ambição!

Novamente devemos observar os resultados! Quando eles se mostram obsoletos ou o saldo já não compensa (o esforço que precisamos fazer é muito grande pelo que estamos colhendo) é hora de mudar! Mudar o que? Nossa vida! Mas para mudar nossa vida precisamos mudar nossa atitude. E para isso necessitamos mudar nossos hábitos. Mas nossos hábitos são orientados pelos nossos paradigmas que muitas vezes têm sua origem em nossas crenças!

Ciclo Crenças

O que são Crenças Limitantes?

Crenças limitantes são limites impostos por nossas crenças a nós mesmos. Sendo assim, naturalmente o tamanho do seu sucesso, o tamanho da sua conquista, do seu amor próprio e o tamanho de qualquer coisa ligada a você, está sendo limitado por aquilo que você mesmo acredita que seja possível.

Como exemplo profissional podemos utilizar um gestor que esteja acostumado a gerenciar milhares de reais e que, talvez, não se veja pronto para gerenciar centenas de milhares de reais ou até mesmo milhões de reais. Até que consiga ampliar um pouquinho a percepção que tem sobre isso, irá ficar limitado ao modelo mental que possui hoje e dificilmente se arriscará a assumir novos desafios. Se esse gestor for dono do seu próprio negócio correrá grande risco de se auto-sabotar impendindo sua empresa de crescer por um limite que é apenas seu. Parece loucura, mas funciona como um relógio.

De um jeito ou de outro, estamos sempre cercados por crenças que em um sentido mais amplo, nos limitam, afinal quando escolhemos um caminho, descartamos outros, quando alcançamos um patamar em nossas vidas isso passa a ser um novo limite. Cada estágio alcançado significa um novo limite, um novo patamar, um novo começo. E isso é muito bom desde que tenhamos consciência disso!

Mas seria isso ruim? Retornamos ao mesmo questionamento feito às crenças. O limite não é necessariamente bom ou ruim. Depende novamente dos resultados que estamos alcançando e do preço pago para essa conquista. Ao invés de um peso isso se torna uma excelente oportunidade – só depende de nós mesmos ampliarmos nossos limites (se assim o desejarmos).

Crenças Limitantes

Porque precisamos de limites?

Os seres humanos necessitam de limites para se estruturar. O problema não é o limite e sim quando ficamos presos a ele, ou em outras palavras aquela crença passa a ser o único jeito, o único caminho possível, a única alternativa. Dai criamos uma cristalização e uma rigidez frente aos fatos que contrariam nossas crenças. Um pai que tem uma crença de que o “mundo é mal!” pode fazer bom uso dessa crença visando proteger seus filhos, porém, se ele acreditar que essa é a única forma de ver o mundo, então possivelmente seus filhos sofrerão um bocado, principalmente na hora que esses filhos forem se aventurar no mundo. Novamente devemos observar os Resultados!

Sendo assim podemos e devemos ampliar nosso olhar sobre esses limites impostos por nossas Crenças. Isso é normal, faz parte da psiquê humana e é até salutar. Precisamos de limites para sobreviver nesse mundo, afinal a cada decisão que fazemos utilizamos nossas crenças. Confundir limites que hoje nos auxiliam com limites que nos prejudicam é que passa a ser o problema. Se limitar àquele estágio alcançado, àquela forma de viver a vida é que passa a ser um problema!

O limite só você pode determinar!

A partir do momento que assumimos que sabemos o que é correr 40km (uma nova crença), um novo limite se estabelece. Naquele momento, sabemos que é isso que conseguimos, mas isso não quer dizer que ficaremos presos a essa crença, pode ser que daqui a pouco nós possamos ir em frente um pouco mais, correr alguns quilômetros a mais.

Entretanto, é inevitável que nós só reconheçamos a visão de mundo na qual já trafegamos, nós reconhecemos aquelas estradas por onde nós já passamos (podemos até não lembrar bem), mas é irrevogável que nós sempre estejamos presos a uma visão de mundo. Estamos condicionados àquilo que nós reconhecemos.

Então, como empresários e tendo uma empresa que está indo bem, com centenas de milhares de reais, é isso que nós reconhecemos nesse universo.

Aquela máxima, se eu não sou um bilionário, eu não sei o que é ser um bilionário. Eu posso vir a ser? Eu posso. Só que se eu tenho uma crença limitante e se ela for mais forte do que minha própria motivação, aí ela começa a ser um problema para o meu dia a dia.

“Você tem consciência hoje somente daquilo que você já experimentou. É o máximo que você conhece e o máximo que você acreditará que consegue!”

Você leva uma vida normal, mas não para pra pensar porque alguém que você conhece é capaz de atingir determinados objetivos e você não? Existem alguns momentos na vida que são chamados pontos de viradas. Como exemplo podemos citar o nascimento de um filho, que começa a modificar o caminho de sua vida, ou a conquista de um objetivo profissional como uma promoção, e aí em algum momento cai a ficha:

“Epa, peraí, se aquele cara pode, por que eu não posso?”

Então, o primeiro ponto é sempre reconhecer que as crenças limitantes estão presentes. Apesar desse nome conter um aspecto negativo, ela acaba não sendo nem boa e nem ruim, ela apenas existe.

Você tem crenças limitantes porque nesse momento é o estágio que você reconhece. Se você se reconhece assim, e talvez se você não tivesse essas crenças limitantes, que estão muito ligadas ao aspecto egóico, você “enlouqueceria”. No estágio que você se encontra, você enxerga que só consegue gerenciar milhares de reais ou correr no máximo 20km por exemplo.

Você tem consciência hoje daquilo que você já experimentou, é o máximo que você acredita que consegue. Se você não é um maratonista, seria impensável correr 40km, seria impossível. Mas não é! Tanto é que um maratonista está lá fazendo isso e um dia, a um bom tempo atrás, ele também não corria os 40km.

Então, por que existe a limitação?

É a forma como você enxerga o mundo e a si mesmo. Como disse, crenças limitantes não são coisas boas nem ruins, por um lado elas podem ser sadias porque permitem que você não enlouqueça.

Não existe limites para a expansão da consciência humana, e sendo assim não existe na verdade limites. O que era impensável a 10 anos atrás hoje é considerado comum, a história está cheia de exemplos.

Mas porque então eu me limito? No nosso processo de aprendizado, quando estamos aprendendo a compreender o mundo, validamos nossas experiências criando, a partir delas, crenças que geram padrões de comportamentos. Se fui amado e acolhido é natural que talvez eu acredite que esse seja um comportamento saudável para mim. Se sofri agressões físicas e psicológicas, também é compreensível caso eu aprenda a ver a mundo dessa forma. Sendo assim eu não vejo o mundo como ele é e sim como eu sou! Quer dizer que a partir do momento que eu crio um padrão ou crença (fundamental para que eu viva nesse mundo) eu passo a filtrar aquilo que vem do mundo, através de meus paradigmas moldando meu comportamento para gerar resultados que comprovem minhas crenças. Isso faz com que eu me sinta amado e reconhecido, nem se for somente por mim. Isso gera uma zona de conforto que nada mais é do que o local onde eu já conheço.

Mas onde ela pode vir a atrapalhar?

Quando situações na vida reeditam acontecimentos não tão positivos já vividos por mim (apertam meus botões) eu me sinto ameaçado e eu mesmo aciono minhas crenças que não me deixam ir em frente. Fico paralisado pelas emoções disparadas frente ao acontecimento seja ele qual for, bom ou ruim, afinal cada um de nós tem as suas próprias limitações. Imagine então a chance de conquistar uma melhor qualidade de vida, um equilíbrio tão sonhado entre a vida pessoal e profissional, ser dono do seu próprio negócio… Mas daí vem aquela voz dentro de mim “isso não é para você!”. Atrapalha, não é mesmo? Ou quando eu sinto que está na hora de descansar mas essa mesma voz me lembra “descansar é para vagabundos!”. E é assim que nossa visão de mundo se volta contra nós! E nos aprisiona!

É aonde por algum motivo, você chega num fato memorável da sua vida, num ponto de encruzilhada. Você chega num momento importante, e aí aquilo que era tudo para você, fica obsoleto.

Quem fica obsoleto? Os resultados. Pra você, sempre a coisa a ser percebida: os resultados.

Por exemplo, você já cansou de correr 20km, e você sente que poderia correr os 40km. Aqui, a crença limitante pode atrapalhar. Ficar onde você está confortável, onde você consegue dominar, mas é isso que você realmente quer? Ou quer, por diversos motivos, conseguir correr uma maratona?

Outro exemplo, é a crença limitante do pai de uma criança. Esse pai desperta quando essa criança começa a entrar na adolescência, na puberdade. É natural que comece a despertar crenças que ele mesmo tenha, limitações, porque ele nunca foi pai, até então, de uma adolescente. Isso é natural, isso não impede de ir em frente. Mas pode impedir por outras questões, como segurança e zona de conforto, que faça com que esse pai fique por ali agindo com seu filho tal qual agiram com ele, mas como cada geração tem os seus desafios, fica fácil perceber que nem sempre essa será a melhor forma de um pai agir.

Estar limitado não significa algo ruim desde que essa pessoa esteja conseguindo obter um bom resultado dentro dessa “limitação”. Agora se por qualquer motivo você se dá conta que está na hora de ampliar esse limite, então você precisará de motivação – motivo para ação!

“Enquanto a motivação dessa pessoa não for suficiente para que ela ultrapasse a sua crença limitante, não haverá um esforço adicional para ir além.”

A crença limitante, de alguma forma, é extremamente útil, pois me mostra aonde eu estou, em que estágio me encontro. Porém não é ela, e sim eu mesmo, que decido permanecer naquele patamar ou estágio. Ninguém mais! Conscientes ou inconscientes nossas crenças estarão sempre atuando, só não podemos é ficar refém delas.

Para podermos descrever a relação entre nossas Crenças e nosso Ego Ideal primeiro precisamos entender como o Ego se estrutura, afinal não nascemos com um Ego. O processo de individuação passa pela formação de um Ego estruturado e isso não é patológico e sim perfeitamente normal no desenvolvimento da nossa psiquê.

Então vamos lá!

Desenvolvimento do Ego

Ao nascermos somos uma bola de energia irradiando essa energia para todos os lados, mas um dia percebemos que nossos pais, nossos avós, nossos irmãos, pessoas importantes próximas a nós, não apreciam partes que temos em nós. Para conservar o amor daqueles que amamos, literalmente escondemos essas partes em um tipo de sacola invisível. Continuamos interagindo em nossa jornada e continuamos guardando coisas na nossa sacola. Esse é o início da formação da nossa Sombra individual, ou seja, reprimimos parte de nossa personalidade em benefício do nosso Ego ideal, que acreditamos, irá nos trazer amor e reconhecimento.

Algumas de nossas maiores crenças nascem acompanhando nosso processo de estruturação do Ego ideal e passam a atuar como proteções para nossa visão de mundo. Elas surgem do encontro do nosso Eu – enquanto tendência potencial da personalidade – e a realidade externa, da experiência entre o certo e o errado, base para a auto aceitação. Nossas primeiras crenças surgem então do início de nossa aceitação externa – a criança aceita a si mesma em termos de adequação. Essa aceitação não significa uma boa ou má experiência e sim uma experiência que proporcionou adequação e reconhecimento, mesmo que tenhamos sido mal tratados naquela experiência.

A Repressão do “Errado”

O desenvolvimento do Ego baseia-se na repressão do “errado” ou do “mau”e na promoção do “bom” – sempre pelo olhar de quem está vivendo ou estruturando o Ego. Também nesse processo utilizamos os “tabus” e os padrões morais coletivos que experimentamos. Uma vez que definimos o Ego ideal criamos também nossas Crenças, que serão os filtros para julgarmos o que é “bom” afastando o que julgamos “mau” para nós mesmos.

As crenças fazem um papel muito importante, pois protegem, tal qual nosso Ego, nossa vida estruturada. Sem elas é muito difícil convivermos harmonicamente nesse planeta. Nesse caso, podemos entende-las como mecanismos naturais de proteção. Elas nos mantém vivos dentro de um aspecto onde nos reconhecemos, então não “enlouquecemos” e conseguimos viver nesse mundo.

O ser humano necessita de seu Ego estruturado e esse necessita de suas crenças para não “enlouquecer”, mas nós não somos nosso Ego e nem tão pouco somos nossas crenças. Porém é importante entendermos que a principal função do Ego é manter o que já está estabelecido, qualquer mudança será entendido pelo Ego como uma ameaça!

Qualidades Reprimidas

O problema das qualidades reprimidas é que, por serem incompatíveis com os ideais da persona por nós criada, não são eliminadas e nem deixam de agir em nossas vidas. E aí as crenças atuam fortemente como impulsos ou padrões de comportamentos que buscam manter o Ego ideal e esconder nossa Sombra, sendo assim, quanto mais rígidas são nossas crenças mais rígido será nosso Ego e vice-versa.

E quando nosso Ego assume o comando, temos um problema. Ele se torna nosso carcereiro, decidindo por nós, ao invés de nosso protetor.

Para evitar que essas qualidades reprimidas se voltem contra nós devemos aprender a ampliar nossa consciência, modificando nossas crenças através de treinamentos, novas experiências e vivências ampliando nosso olhar sobre o mundo e consequentemente modificando nosso comportamento e nossos resultados.

Infinitas Possibilidades

Em resumo, estamos sempre, de alguma forma, limitados ao nosso próprio olhar, a nossa própria experiência, as nossas crenças. E isso não é problema algum. Porém, acreditar que esse é o único caminho aí sim é um grande problema! Para cada situação, cada decisão, cada ação na vida existem infinitas possibilidades. É isso mesmo! Vivemos em um universo de infinitas possibilidades, mas muitas delas eu só conseguirei perceber se me permitir ampliar meu sagrado ponto de vista. E para isso é necessário trabalhar minha consciência visando amplia-la.

Mas como fazer isso? Não se prendendo a um único ponto de vista e buscando experimentar coisas novas, assistindo filmes que não costumamos ver, experimentando novos hábitos, novas experiências, novos sabores, etc, porque é disso que a vida é feita. E é para isso que estamos nesse Planeta. Para sermos o melhor que pudermos concretizando nosso propósito de vida, e esse é um trabalho para nossa Essência e não para o Ego!

Crenças Limitantes