Fadado ao Fracasso!

Estudávamos, eu e meus irmãos, em um escolha pública estadual e lá era o mundo que eu conhecia. Na minha infância eu até que procurava, mas não conseguia encontrar nada que me empolgasse na minha vidinha simples. Era como se eu não me encaixasse nesse mundo.

Minha mente girava a milhão e eu, perdido em meus pensamentos, comecei a construir uma crença de que eu nunca seria nada! Estava fadado ao fracasso (e a envergonhar minha família consequentemente).

Meu irmão mais velho e a sua turma, da qual eu não fazia parte, começaram a praticar um novo esporte. Na época o voleibol começava a se propagar pelo Brasil. Um de seus amigos, chamado Noboro (ou simplesmente Boro como era conhecido) me convidou para jogar com eles. Estranhei, óbvio. Eu jogar com vocês? Sério? Vocês me aceitariam? Minhas crenças de inadequação gritavam alto!

Aceitar aquele convite mudou drasticamente a minha vida. A partir daquele convite consegui uma bolsa de estudos para uma escola particular com uma realidade anos luz de distância da minha até então conhecida realidade. Ao assistir a primeira aula duas coisas ficaram claras para mim:

  1. Existia giz colorido para professor! Na escola pública eu só tinha visto giz branco. Imagine o susto!
  2. Eu, sim eu, poderia prestar vestibular, fazer faculdade e construir outra vida! Eu nunca ouvira falar dessa possibilidade!

Minha vida nunca mais foi a mesma!

Foi Destino ou Predestinação?

Na linha do tempo da minha vida aquele momento marca uma mudança drástica. Um fato memorável com certeza da minha jornada. Mas seria meu destino?

As palavras destino e predestino muitas vezes são utilizadas como sinônimos na cultura popular, mas elas possuem significados bem diferentes.

A palavra destino refere-se para onde vamos depois que escolhemos um determinado caminho. Já a palavra predestinação é para onde iremos ir, independente de nossa vontade.

Eu terei como destino a cidade de Curitiba quando decidir por lá passar para chegar a São Paulo de carro partindo de Florianópolis, por escolha própria. Por outro lado, eu e você estamos predestinados a morrer um dia, independente de nossas vontades.

Cada pensamento que você tem é uma semente lançada no campo. O campo não escolhe o que vai brotar , o poder de escolha é seu. 

No meu próprio exemplo, que abriu esse artigo, eu não estava predestinado a ser um jogador de vôlei e a fazer faculdade de Engenharia Elétrica. Sei bem disso porque, ao receber a bolsa de estudo para a escola particular, eu não queria aceitar. Não estava em meus planos estudar “naquela escola” tão diferente da minha realidade, eu queria jogar em outro lugar!

Mas minha mãe interveio e “gentilmente” me convenceu que aceitar aquela bolsa que me levaria a um melhor destino. E ela fez isso me mostrando qual seria o meu destino caso eu não optasse pela chance de cursar uma faculdade – realidade essa que ela e meu pai conheciam muito bem!

Determinando o Determinismo!

Mas seria então o determinismo definindo que eu deveria mudar de vida? Seria mera casualidade?

Determinismo é um conceito filosófico que diz serem todos os fatos baseados em causas, ou seja, todo o acontecimento é regido pela determinação, seja de caráter natural ou sobrenatural. O termo determinismo surgiu a partir do verbo “determinar”, que vem do latim determinare que, literalmente, significa “não-terminar” ou “não-limitar”.

Resumidamente, o determinismo é uma corrente de pensamento que defende a ideia de que as decisões e escolhas humanas não acontecem de acordo com um livre-arbítrio, mas sim através de relações de casualidade. Se já está determinado, não há nada que possamos fazer!

Tudo no universo, de acordo com o determinismo, está limitado a leis imutáveis, ou seja, todos os fatos e ações humanas são predeterminadas pela natureza, sendo a “liberdade de escolha” uma mera ilusão da vida.

Seria isso que teria acontecido comigo? Bem meus irmãos seguiram caminhos bem diferentes…

O Determinismo predestinando o meu Destino?!

Nossa, agora deu um nó! Tirando o trocadilho seria mais ou menos assim: na vertente filosófica do Determinismo acredita-se que o seu “Destino está predestinado“, ou seja, nada há que possamos fazer que irá mudar isso! Meio drástico, não? Bate um desânimo, uma preguiça! Então melhor sentar e esperar…

“Destino é algo ligado ao futuro mas que foi predeterminado no passado.”

Ainda bem que podemos pedir “socorro” ao Livre Arbítrio, que conceitualmente se opõe ao determinismo, defendendo que os atos de um indivíduo são inerentes à sua vontade, e ocorrem com a força de outras causas, internas ou externas, mas a partir da sua livre escolha.

Livre arbítrio seria então o poder que cada indivíduo tem de escolher suas ações, que caminho quer seguir, estando mais ligado a vontade. Para algumas pessoas o livre arbítrio significa ter liberdade, mas são conceitos diferentes. Enquanto o livre arbítrio é a possibilidade de escolher entre uma coisa e outra, a liberdade seria o bom uso desse poder de escolha.

Agora chegou a vez do contra ponto: mas não estaria o livre arbítrio predestinando, por sua vez, que tudo é possível e que todos os destinos são acessíveis a todos?

Na prática não é bem assim…

Será que existe algo mais?

Observando as duas vertentes opostas talvez fique aquela sensação de que as duas estejam exagerando e no fim acabam sendo faces da mesma moeda. Então vamos mergulhar um pouco mais:

Segundo Stephen Covey, em seu livro Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, temos três tipos de determinismos:

  1. Genético: são meus traços herdados geneticamente que determinam como fui, sou e serei. A culpa de eu ser assim é de meus antepassados.
  2. Psíquico: aquilo que aprendi com meus pais e meus educadores é que determina o que fui, sou e serei. Nada há que possa fazer para mudar isso!
  3. Ambiental: sou o que sou em virtude do meu chefe, do meu cônjuge, do país que nasci, da economia, etc. Sou fruto do meio em que vivo e contra isso também há pouco que eu possa fazer. Não adianta lutar contra.

Independente do tipo de determinismo o certo, segundo o autor, é que nós entregamos nosso destino a outros e acreditamos realmente que não há nada a fazer para mudarmos nosso futuro. Sendo assim passamos a viver como expectadores da nossa própria vida ao invés de sermos os escritores! Voltamos ao “então melhor se sentar e esperar…”.

O paradigma social atualmente aceito nos diz que nosso condicionamento e nossa condição determinam amplamente o que somos. Com que precisão e funcionalidade estes mapas deterministas descrevem o território?

Com que nitidez estes espelhos refletem a verdadeira natureza do homem? Não seriam eles profecias feitas com cartas marcadas? Seriam eles baseados em princípios que consideramos válidos em nosso íntimo?

No meu próprio exemplo com certeza o mapa determinista, tal qual apresentado acima, não descreveu minha jornada. Se eu tivesse ouvido minha realidade jamais mudaria minha vida!

Vencer a preguiça é a primeira coisa que o homem deve procurar, se quiser ser o dono do seu destino.

Não seria Carma?

Já James Hillman, em seu livro Código do Ser, resgata O Mito de Er, de Platão, em sua obra mais conhecida, A República, aonde ele, Hillman, resume:

“Cada pessoa entra nesse mundo tendo sido chamada. Escolhemos o corpo, os pais, o lugar e as circunstâncias que servirão à alma e que, segundo o mito, pertencem à sua necessidade.”

Essas ideias formam a “teoria do fruto do carvalho”, que sustenta que cada pessoa tem uma singularidade que pede para ser vivida e que já está presente antes de poder ser vivida.

O mito ainda sugere as seguintes sugestões práticas:

  • reconhecer o chamado como o fato primordial da existência humana;
  • alinhar a vida com esse chamado;
  • ter o bom senso de perceber que acidentes pertencem ao padrão da imagem, e são necessários e ajudam a realizar essa image.

Se não olharmos cuidadosamente seremos levados a acreditar que os dois autores estão defendendo questões opostas. Novamente a polaridade entre determinismo e livre-arbítrio. Mas será mesmo?

Destino e Fatalismo

“Mas se a alma escolhe seu daimon e sua vida, como ainda nos resta algum poder de decisão?. Onde está nossa liberdade? Tudo o que vivemos e que pensamos ser nosso, todas as decisões, tudo isso pode já estar predeterminado? Vivemos iludidos que temos alguma escolha, mas nossa vida já estava traçada no fruto do carvalho e estamos apenas realizando um plano secreto?”, pergunta Plotino (o maior dos neoplatônicos).

Para evitar essa conclusão equivocada, James Hillman esclarece, no fechamento de seu livro, o que eu julgo ser um meio termo maravilhoso para equilibrarmos as faces opostas da mesma moeda: determinismo e livre-arbítrio – ambas estão certas em certo ponto e sim, co-existem.

O destino é como uma viagem: você a planeja, mas pode mudar a rota e os acontecimentos a partir do momento que começa a coloca-la em ação.

Me acompanhe: se eu nasci para ser um Carvalho nada irá me adiantar tentar ser um Abacateiro. Eu não tenho escolha, estou predestinado a ser um Carvalho. Ponto para o determinismo.

Porém isso fala da necessidade da minha alma de manifestar minha vocação, meu propósito nessa vida – escolhido por mim mesmo. Mas a maneira com que essa necessidade irá influir nas minhas escolhas é totalmente irracional: existem literalmente infinitas possibilidades de eu manifestar-me como um Carvalho! Ponto para o livre-arbítrio!

Em outras palavras, todos temos nosso curador interno a nos lembrar da necessidade de ser quem somos e realizar o que viemos realizar, porém a maneira que iremos manifestar isso depende de nós mesmos, e é única. Vale lembrar que ao nascer, uma parte de nós esquece o que veio fazer aqui, mas nosso curador interno se lembra.

“Inexorável”…

Na hora de decidirmos, tudo está em aberto; temos infinitas possibilidades a nossa disposição. Depois que decidimos, seja qual for a nossa escolha, ela é, e sempre será, aquela que era necessária para nosso caminhar, para o nosso crescimento e para que possamos cumprir nossa jornada de Alma.

O fascinante nesse desfecho proposto por Hillman ao resgatar Platão é como essa dança entre Determinismo e Livre-Arbítrio compõem algo maior que as duas visões separadamente. Em resumo, não há uma visão anulando a outra, tal qual seríamos levados a pensar por um paradigma cartesiano. Em um paradigma transpessoal ambos se unem e somam sinergicamente ao invés de dividir!

A necessidade que nossa Alma tem de se desenvolver garante o risco de estar tudo em aberto a nossa disposição. E a cada decisão, sim arrisca-se tudo, embora o que foi decidido imediatamente se torne o que era exatamente o necessário! Fascinante não é?

 

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E se você se interessou pelo tema Determinismo assista ao vídeo sobre esse tema no meu Canal clicando aqui.

Um abraço e até o próximo artigo!

Caso você ainda não tenha acessado nossa última postagem que explica e conceitua esses dois tipos de Ética, sugiro que você leia primeiro (clique AQUI) e depois retorne para esse artigo.

Mas velocidade é importante!

Ao utilizar a Ética da Personalidade em nossa vida profissional, o ritmo e os resultados aparecerão muito mais rapidamente! Mas o que há de mal nisso? O problema é que podemos nos perder ao entrar em conflito entre o que dizemos ser e o que realmente somos. Você pode parecer ser outra coisa por algum tempo, mas não para sempre!

Já com a Ética do caráter usualmente os resultados serão muito mais lentos, pois aquilo que falamos e fazemos está diretamente ligado àquilo que realmente somos, tornando assim mais coerente a nossa própria vida. A demora deve-se  ao esforço de focar na qualidade do que será entregue ou comercializado e só depois esperar os resultados, afinal primeiro plantamos para depois colher!

Vamos imaginar uma venda de produto via internet: um infoprodutor que se oriente pela Ética da Personalidade será muito mais agressivo. Não terá pudor algum em se parecer com alguém competente, apesar de não ser, e lançar algo que ele não domine. Ele conseguirá enganar alguns, às vezes muitos, mas em algum momento sua falta de coerência ficará evidente. Ah, mas ele ficará rico. Pode até ser, mas a conta sempre vem. De um jeito ou de outro!

Já um infoprodutor que se guie pela Ética do Caráter tomará todos os cuidados para produzir um conteúdo que realmente esteja alinhado com aquilo que ele estudou, aplicou e conhece. Por dominar plenamente o que ele se propõe a vender ele resistirá em adotar técnicas que iludam e seus resultados serão mais lentos, porém com muito mais responsabilidade e que irá resguardar sua integridade.

E quanto a Robustez?

Em termos de robustez e consistência dos resultados a curva se inverte. A Ética do caráter usualmente nos levará muito mais longe, pois aquilo que falamos e fazemos está diretamente ligado àquilo que realmente somos, tornando assim mais coerente a nossa própria vida.

Já na Ética da Personalidade, com o passar do tempo, os esforços serão cada vez maiores para sustentar aquilo que tentamos desesperadamente parecer ser, mas realmente não somos. O resultado a médio e longo prazo será a fragilidade daquilo que foi construído. É como construir uma casa sem uma estrutura sólida.

As Éticas na Adolescência

Na época da adolescência, é natural o nosso comportamento estar voltado para a Ética da Personalidade. É uma fase que chegamos na escola preocupado com o lápis e o caderno que vamos usar, se estamos vestidos de acordo com os descolados ou não, se gostarão ou não do nosso cabelo, e por ai vamos.

Estamos assim muito voltados para fora porque estamos buscando nos afirmar e o único espelho que conhecemos, nesse fase, é o espelho social. Esse é um processo de desenvolvimento pessoal naturalmente normal. Mas é só analisar um jovem adolescente e ficará claro quando ele está tentando PARECER e se esquecendo de SER. Até ai, tudo normal.

O problema é que se amadurecermos e não aprendermos a ter paciência para cultivar reais valores e princípios não construiremos raízes e bases fortes para enfrentar as dificuldades da vida. PARECER até funciona na adolescência, mas com certeza não funcionará na vida adulta. Nos faltará base para quando as tempestades chegarem e tombaremos desesperados sem saber o que fazer: nossa máscara foi ao chão!

A Empresa e a Ética

No âmbito empresarial, quando os donos das empresas resolvem se envolver com as associações ou agremiações, podem se perder e chegar no extremo de abandonar suas próprias empresas por querer impressionar outras pessoas que nada tem a ver com seu negócio, porém conquistam um status, uma aparência que na verdade não importa, afinal status não paga boletos.

Muitas de nossas relações empresariais são voltadas para a aparência, valorizando o que nossas empresas parecem ser e nem sempre isso é o que realmente importa ou que trará prosperidade e perpetuidade. O ápice desse comportamento dentro das empresas é o hábito de perseguir o faturamento sem dar a devida importância para a lucratividade que é o que realmente importa!

O status de ser um grande empresário, ou de ser uma “celebridade”, reconhecida, pode custar muito caro e ficar inviável de sustentar – quem paga a conta (e sofre) usualmente é a empresa.

Também podemos ver o conflito entre as Éticas no lançamento de produtos ou nas promessas vazias. Vender uma vez é fácil. O difícil é conseguir se manter no mercado por décadas! Ou vai me dizer que você já não se sentiu ludibriado por uma promessa não realizada? É a corrida do vale tudo e a diferença gritante entre conquistar um novo cliente e manter clientes. Qual você acredita que é mais barato?

Somos encantados pelo parecer?

Atualmente, com o aumento do uso das mídias sociais temos uma experiência diuturna sobre a Ética da Personalidade: uma enxurrada de promessas de vida fácil sendo despejadas sobre todos nós, fazendo com que as pessoas sigam cada vez mais orientadas para o espelho social orientando-se cada vez mais para fora, para os padrões sociais instituídos, sem realmente se questionar se aquele é um caminho válido para elas.

O caminho da Ética da Personalidade nos convida para um caminho de atalhos! Nos vende receitas milagrosas e pílulas mágicas! Apesar de existirem carreiras e empresas que cresceram exponencialmente, normalmente isso demandou muito suor e dedicação. Tal qual as raízes de uma árvore que não são vistas, o esforço e o suor realizado para se construir uma carreira usualmente também é invisível aos outros.

O sucesso oferecido pela Ética da Personalidade é muito tentador e as pessoas se encantam porque aliam o caminho da Ética do Caráter à um caminho muito pesado, sofrido e demorado, o que nem de longe é verdadeiro!

Apesar de toda essa tendência social o que faz com que o PARECER seja tão tentador é que todos nós temos nossos déficits emocionais adquiridos em nossa jornada. Alguns desses complexos foram formados em nossa primeira infância. Por desconhecer uma forma de resignificar essas questões buscamos desesperadamente preencher esses “vazios emocionais” mudando do lado de fora. Simplesmente desconhecemos um caminho para dentro de nós mesmos, aonde todas as respostas estão disponíveis. Só eu posso construir o meu interior. Já o exterior eu consigo “mandar comprar”.

“5% de inspiração e 95% de transpiração”

Um convite para você

A Ética do Caráter, em determinado momento da nossa vida vai fazer um convite para uma profunda reflexão. Irá nos fazer questionar a nós mesmos sobre o que essa aparência tem trazido de positivo para nossa vida? O problema não é o carro que nós andamos ou a roupa que usamos, o problema é acreditarmos que o carro e a roupa definem quem somos!

O problema é passar a ser escravo das nossas aparências – e isso infelizmente não preenche o vazio interno. Muitas pessoas bem sucedidas mergulham na depressão por conquistar o fora sem respaldo do que possuem dentro de si mesmas!

Para nos aprofundarmos na Ética do Caráter é necessário um trabalho de autoconhecimento. Requer muita vontade de mexer nos sentimentos mais profundos, nos segredos mais ocultos e sombrios para construir raízes sólidas e, sim, isso leva um bom tempo.

“Líderes são forjados no fogo e não no mel!”

Muitas pessoas passam a vida construindo um mundo de fachada. Mas um belo dia olham para tudo aquilo e percebem que há um vazio gigante! “Mas me disseram que se eu tivesse uma boa faculdade, um belo casamento, comprasse uma casa grande, tivesse filhos, eu seria plenamente feliz”! Ledo engano!

Nem sempre percebemos esse comportamento facilmente e continuamos olhando para fora. De alguma forma tentamos suprir este buraco, trabalhando mais, adquirindo mais, comendo mais. Noutras vezes, caindo nas drogas e nos excessos tentando desesperadamente dar um sentido a nossa vida!

Mas como resolvo esse vazio?

Nos momentos que reconhecemos nosso lado frágil, nos fortalecemos. Porém na perspectiva da Ética da Personalidade isso sempre será uma fraqueza, e se é uma fraqueza não devemos falar e nem tampouco compartilhar com outras pessoas nossas angústias.

Nos últimos 15 anos tenho facilitado grupos de autoconhecimento e acredito na potência do trabalho em grupos. É possível se despir moralmente. Abrir nosso coração, chorar nossas mágoas e olhar para dentro de si procurando nossas verdadeiras raízes em um ambiente controlado.

Faz bem estar em um local onde é possível trazer pedaços de si mesmo e compartilhar: “me sinto sem saída, fracassado e sem energia”! Ou “não tenho vontade para nada”. Ou ainda “achei que acontecia só comigo ou na minha empresa!”.

Também compartilhar conquistas e alegrias reforçando que esse caminho demanda tempo e energia, porém é duradouro e sólido: “sim foi difícil, mas consegui! Só não sei porque não fiz isso antes”. Ou “não existe mágica; existe sim um ampliar de consciência e trabalho duro”. Ou ainda “quando voltamos nosso olhar para dentro de nós mesmos encontramos lá todas as respostas que procurávamos fora.

É preciso treinar e querer agir de acordo com a Ética do Caráter fortalecendo nossas raízes, nosso interior que, usualmente é invisível aos outros, mas é onde reside nosso verdadeiro Poder Pessoal.

E agora? O que fazer?

Compreender essa dança entre a Ética do Caráter e a Ética da Personalidade muda nossa visão e nossos conceitos. É normal olhar para a fora e acreditar que se conseguirmos comprar aquele carro dos sonhos estaremos conquistando sucesso. Não deixa de ser uma recompensa pelo nosso esforço.

Noutra fase da vida nós podemos preferir ter um momento com os amigos e tomar um bom vinho. Tornar nossa empresa mais leve e enxuta, menos evidente, mas muito mais saudável. Querer crescer sem atropelar tudo e todos requer sabedoria e uma orientação clara para aquilo que é duradouro.

Decidindo pela Ética

Um bom exercício, quando uma decisão deve ser tomada, de cunho empresarial/profissional,  é perguntar a si mesmo:

  • O que essa decisão irá mudar na sua vida?
  • O que isso tem a ver com os objetivos já definidos?
  • Esse caminho tem coração pra você?
  • O suposto resultado oriundo dessa decisão me trará mais felicidade/tranquilidade ou mais sufoco/correria?

O objetivo aqui é verificar se essa tomada de decisão é puramente egóica. “Ah estou fazendo porque o concorrente está fazendo”. “Estou fazendo porque fui em uma palestra e todo mundo está fazendo e eu tenho que fazer”! Ou se é uma decisão que está alinhada com nossa Missão de Alma, nossa Missão de Vida.

Uma dica simples é: uma decisão egóica te leva a querer convencer os outros. Uma decisão centrada te trará tranquilidade e paz mesmo que você não saiba explicar o porquê – simplesmente faz sentido!

Não se deixe levar pelo canto da sereia! No fim de tudo os boletos serão pagos por você e não pelos outros!

Se você gostou desse artigo não deixe de nos dizer qual parte mais te interessou!!! Deixe seu comentário, ou me envie um direct no instagram @fabioamaraldux. Vai ser um prazer conversar um pouco mais sobre o assunto.

Um forte abraço e até o próximo artigo!

Assumir as rédeas da sua vida!

Você sabe o verdadeiro significado de proatividade?

Proatividade significa ser responsável pelas minhas escolhas e suas respectivas consequências. É compreender que sou hoje, fruto das escolhas que fiz no passado e que colherei amanhã aquilo que estou plantando hoje. Simples assim. O que acontece na minha vida tem a ver com a minha vida e não com a vida do meu vizinho.

Mas isso é muita pressão!

Pode parecer em um primeiro momento, mas da mesma forma que eu tenho a responsabilidade eu também tenho toda a liberdade e o poder de construir aquilo que eu quero. O fato de assumirmos a responsabilidade de ser proativo gera uma liberdade dentro da gente e quando abraçamos a responsabilidade por nossas escolhas e claro, as suas respectivas consequências, geramos inicialmente um “peso” por admitirmos as responsabilidades por nossos atos. Com o tempo isso nos trará poder por termos liberdade de criar nosso próprio destino e ter a liberdade para definir aquilo que construiremos em nossas vidas.

“Nos acostumamos a entregar nosso destino nas mãos dos outros e a assistir passivamente reclamando que não temos aquilo que queremos (ou merecemos)!”

Assim, se eu não estou satisfeito com a minha vida e com o quê estou fazendo dela, basta eu construir os fatos de maneira diferente. Quanto mais proativo formos, mais proatividade traremos para nosso dia a dia e dessa forma, mais realizações teremos alcançado.

Ser ou não ser Vítima?

Outro ponto fundamental é, de uma vez por todas, detonar com o muro das lamentações, o famoso mi-mi-mi. Chega de ser reativo, ser vítima. Abra-se para o novo. Nesse momento, será fundamental prestar muita atenção na sua linguagem e suas atitudes. Por exemplo: quando você se pegar culpando-se ou tentando achar algum culpado para o que não está dando certo na sua vida, volte imediatamente.

Como já dizia Saint Exupery, “Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa”. Ou seja, o que acontece na sua vida tem haver contigo e com mais ninguém.

“Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa”

O hábito da proatividade nos convida a assumir as rédeas da minha vida e aprender com os resultados das minhas escolhas. Se o resultado for positivo, comemore, se presenteie, pois você merece. Ainda assim, quando nossas escolhas não trouxerem um resultado bom, ficamos calmos por saber que poderemos mudá-las na próxima oportunidade.

Não ficamos remoendo nem buscando culpados, pois o sentimento de vítima nos tira todo o poder e afunda cada vez mais. Ao invés de voltar às lamúrias, buscamos aprender com os erros e o que podemos fazer para que isso não se repita novamente.

Baseado nisso conseguimos visualizar que nossas escolhas determinam nossos destinos, porém muitas vezes reagimos a qualquer estímulo externo sem ao menos pensarmos a respeito.

Entre o estímulo e a resposta temos sempre a possibilidade da Escolha. Sendo assim, podemos escolher quais “presentes” aceitamos e quais não nos pertencem. Isso nos permite exercer nossa escolha ao invés de reagirmos mecanicamente. Outra questão importante é que cada escolha traz junto suas consequências e ao escolhermos somos responsáveis por ambas. Quer saber sobre as escolhas que optamos em nossas vidas?

“Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências.”

O que são crenças?

Crenças são tudo aquilo em que acreditamos. Por acreditarmos profundamente nelas, as crenças passam a fazer parte de nossas vidas e de alguma forma dão sentido a quem somos. Algumas delas nos foram passadas de gerações anteriores, outras foram criadas em tenra idade (quando éramos muito jovens) e outras continuam sendo criadas em nossas interações pessoais e profissionais todo santo dia! E existem ainda aquelas que adquirimos em função da cultura e do meio em que fomos criados. Independente de quando e como lhes construímos, o que importa aqui é que somos nós que, consciente ou inconsciente, formatamos essa crença. Mesmo que isso seja bem desagradável de aceitar!

É importante compreender que toda crença limitante tem sua origem em aspectos conscientes e inconscientes, ou seja, conseguimos nos lembrar da origem de algumas crenças que acreditamos ao lembrar da fala de nossos pais, por exemplo, mas não conseguimos muitas vezes perceber as influências emocionais que mantém aquela crença em momentos em que nos sentimos ameaçados em determinada situação.

Mas as crenças são boas ou são ruins?

Ironicamente, as crenças não são nem boas e nem ruins. Perguntar isso é equivalente a perguntar se a energia elétrica é boa ou ruim. No caso da energia elétrica ela se torna boa quando podemos tomar um bom banho quente ou ligar nossos aparelhos eletro-eletrônicos, mas pergunte para alguém que teve uma corrente elétrica circulando em seu corpo, por menor que tenha sido essa corrente, e talvez a resposta seja: não foi nada bom! O que importa então é o bom uso que fazemos e os resultados que alcançamos com a energia elétrica. E é assim também com nossas crenças, o que importa são os resultados que temos conseguido com nossas crenças e não necessariamente o rótulo que damos a elas.

Com essa mudança de perspectiva nosso foco deixa de ser as crenças e passa a ser os resultados que conseguimos ao utilizar essas crenças nas nossas relações e nas nossas vidas. Podemos concluir, então, que não existe realmente nenhuma crença que só tenha aspectos positivos ou negativos. Usualmente ela carrega os dois extremos, porém tudo depende de quem e de que uso será feito com tais crenças.

Esforço versus resultado

Focar nos resultados e não nas crenças pode soar estranho, vamos analisar uma crença considerada “boa” e altamente desejável por muitos e outra considerada “ruim” por ser confundida como falta de ambição.

Imagine que você acredita que consegue ser um profissional competente, se você acredita, isso é uma crença que você possui e que talvez sempre a tenha visto como algo “bom”. Mas daí você conquistou um bom emprego, desempenhou um bom papel profissional que lhe rendeu um alto cargo e um bom salário. Parece uma ótima crença, não? Mas e se essa crença fizer com que você deixe de lado todos os outros aspectos da sua vida pessoal? Simplesmente abrir mão de tudo o que não seja profissional. Amigos, família, saúde, lazer! Será que a crença continuará a ser saudável para você por muito tempo? Parece que não!

Por outro lado, se você acredita que não precisa ser um milionário e vive uma vida que, para você, está ótima dentro dos padrões que você estabeleceu para si e para sua família, que mal há nisso? Seria isso uma crença ruim? Falta de ambição? Para quem acredita e vive assim obviamente que a resposta seria não, porém para muitos que rodeiam essa pessoa, incluindo parentes e amigos, essa crença poderá ser vista como falta de iniciativa ou de ambição!

Novamente devemos observar os resultados! Quando eles se mostram obsoletos ou o saldo já não compensa (o esforço que precisamos fazer é muito grande pelo que estamos colhendo) é hora de mudar! Mudar o que? Nossa vida! Mas para mudar nossa vida precisamos mudar nossa atitude. E para isso necessitamos mudar nossos hábitos. Mas nossos hábitos são orientados pelos nossos paradigmas que muitas vezes têm sua origem em nossas crenças!

Ciclo Crenças

O que são Crenças Limitantes?

Crenças limitantes são limites impostos por nossas crenças a nós mesmos. Sendo assim, naturalmente o tamanho do seu sucesso, o tamanho da sua conquista, do seu amor próprio e o tamanho de qualquer coisa ligada a você, está sendo limitado por aquilo que você mesmo acredita que seja possível.

Como exemplo profissional podemos utilizar um gestor que esteja acostumado a gerenciar milhares de reais e que, talvez, não se veja pronto para gerenciar centenas de milhares de reais ou até mesmo milhões de reais. Até que consiga ampliar um pouquinho a percepção que tem sobre isso, irá ficar limitado ao modelo mental que possui hoje e dificilmente se arriscará a assumir novos desafios. Se esse gestor for dono do seu próprio negócio correrá grande risco de se auto-sabotar impendindo sua empresa de crescer por um limite que é apenas seu. Parece loucura, mas funciona como um relógio.

De um jeito ou de outro, estamos sempre cercados por crenças que em um sentido mais amplo, nos limitam, afinal quando escolhemos um caminho, descartamos outros, quando alcançamos um patamar em nossas vidas isso passa a ser um novo limite. Cada estágio alcançado significa um novo limite, um novo patamar, um novo começo. E isso é muito bom desde que tenhamos consciência disso!

Mas seria isso ruim? Retornamos ao mesmo questionamento feito às crenças. O limite não é necessariamente bom ou ruim. Depende novamente dos resultados que estamos alcançando e do preço pago para essa conquista. Ao invés de um peso isso se torna uma excelente oportunidade – só depende de nós mesmos ampliarmos nossos limites (se assim o desejarmos).

Crenças Limitantes

Porque precisamos de limites?

Os seres humanos necessitam de limites para se estruturar. O problema não é o limite e sim quando ficamos presos a ele, ou em outras palavras aquela crença passa a ser o único jeito, o único caminho possível, a única alternativa. Dai criamos uma cristalização e uma rigidez frente aos fatos que contrariam nossas crenças. Um pai que tem uma crença de que o “mundo é mal!” pode fazer bom uso dessa crença visando proteger seus filhos, porém, se ele acreditar que essa é a única forma de ver o mundo, então possivelmente seus filhos sofrerão um bocado, principalmente na hora que esses filhos forem se aventurar no mundo. Novamente devemos observar os Resultados!

Sendo assim podemos e devemos ampliar nosso olhar sobre esses limites impostos por nossas Crenças. Isso é normal, faz parte da psiquê humana e é até salutar. Precisamos de limites para sobreviver nesse mundo, afinal a cada decisão que fazemos utilizamos nossas crenças. Confundir limites que hoje nos auxiliam com limites que nos prejudicam é que passa a ser o problema. Se limitar àquele estágio alcançado, àquela forma de viver a vida é que passa a ser um problema!

O limite só você pode determinar!

A partir do momento que assumimos que sabemos o que é correr 40km (uma nova crença), um novo limite se estabelece. Naquele momento, sabemos que é isso que conseguimos, mas isso não quer dizer que ficaremos presos a essa crença, pode ser que daqui a pouco nós possamos ir em frente um pouco mais, correr alguns quilômetros a mais.

Entretanto, é inevitável que nós só reconheçamos a visão de mundo na qual já trafegamos, nós reconhecemos aquelas estradas por onde nós já passamos (podemos até não lembrar bem), mas é irrevogável que nós sempre estejamos presos a uma visão de mundo. Estamos condicionados àquilo que nós reconhecemos.

Então, como empresários e tendo uma empresa que está indo bem, com centenas de milhares de reais, é isso que nós reconhecemos nesse universo.

Aquela máxima, se eu não sou um bilionário, eu não sei o que é ser um bilionário. Eu posso vir a ser? Eu posso. Só que se eu tenho uma crença limitante e se ela for mais forte do que minha própria motivação, aí ela começa a ser um problema para o meu dia a dia.

“Você tem consciência hoje somente daquilo que você já experimentou. É o máximo que você conhece e o máximo que você acreditará que consegue!”

Você leva uma vida normal, mas não para pra pensar porque alguém que você conhece é capaz de atingir determinados objetivos e você não? Existem alguns momentos na vida que são chamados pontos de viradas. Como exemplo podemos citar o nascimento de um filho, que começa a modificar o caminho de sua vida, ou a conquista de um objetivo profissional como uma promoção, e aí em algum momento cai a ficha:

“Epa, peraí, se aquele cara pode, por que eu não posso?”

Então, o primeiro ponto é sempre reconhecer que as crenças limitantes estão presentes. Apesar desse nome conter um aspecto negativo, ela acaba não sendo nem boa e nem ruim, ela apenas existe.

Você tem crenças limitantes porque nesse momento é o estágio que você reconhece. Se você se reconhece assim, e talvez se você não tivesse essas crenças limitantes, que estão muito ligadas ao aspecto egóico, você “enlouqueceria”. No estágio que você se encontra, você enxerga que só consegue gerenciar milhares de reais ou correr no máximo 20km por exemplo.

Você tem consciência hoje daquilo que você já experimentou, é o máximo que você acredita que consegue. Se você não é um maratonista, seria impensável correr 40km, seria impossível. Mas não é! Tanto é que um maratonista está lá fazendo isso e um dia, a um bom tempo atrás, ele também não corria os 40km.

Então, por que existe a limitação?

É a forma como você enxerga o mundo e a si mesmo. Como disse, crenças limitantes não são coisas boas nem ruins, por um lado elas podem ser sadias porque permitem que você não enlouqueça.

Não existe limites para a expansão da consciência humana, e sendo assim não existe na verdade limites. O que era impensável a 10 anos atrás hoje é considerado comum, a história está cheia de exemplos.

Mas porque então eu me limito? No nosso processo de aprendizado, quando estamos aprendendo a compreender o mundo, validamos nossas experiências criando, a partir delas, crenças que geram padrões de comportamentos. Se fui amado e acolhido é natural que talvez eu acredite que esse seja um comportamento saudável para mim. Se sofri agressões físicas e psicológicas, também é compreensível caso eu aprenda a ver a mundo dessa forma. Sendo assim eu não vejo o mundo como ele é e sim como eu sou! Quer dizer que a partir do momento que eu crio um padrão ou crença (fundamental para que eu viva nesse mundo) eu passo a filtrar aquilo que vem do mundo, através de meus paradigmas moldando meu comportamento para gerar resultados que comprovem minhas crenças. Isso faz com que eu me sinta amado e reconhecido, nem se for somente por mim. Isso gera uma zona de conforto que nada mais é do que o local onde eu já conheço.

Mas onde ela pode vir a atrapalhar?

Quando situações na vida reeditam acontecimentos não tão positivos já vividos por mim (apertam meus botões) eu me sinto ameaçado e eu mesmo aciono minhas crenças que não me deixam ir em frente. Fico paralisado pelas emoções disparadas frente ao acontecimento seja ele qual for, bom ou ruim, afinal cada um de nós tem as suas próprias limitações. Imagine então a chance de conquistar uma melhor qualidade de vida, um equilíbrio tão sonhado entre a vida pessoal e profissional, ser dono do seu próprio negócio… Mas daí vem aquela voz dentro de mim “isso não é para você!”. Atrapalha, não é mesmo? Ou quando eu sinto que está na hora de descansar mas essa mesma voz me lembra “descansar é para vagabundos!”. E é assim que nossa visão de mundo se volta contra nós! E nos aprisiona!

É aonde por algum motivo, você chega num fato memorável da sua vida, num ponto de encruzilhada. Você chega num momento importante, e aí aquilo que era tudo para você, fica obsoleto.

Quem fica obsoleto? Os resultados. Pra você, sempre a coisa a ser percebida: os resultados.

Por exemplo, você já cansou de correr 20km, e você sente que poderia correr os 40km. Aqui, a crença limitante pode atrapalhar. Ficar onde você está confortável, onde você consegue dominar, mas é isso que você realmente quer? Ou quer, por diversos motivos, conseguir correr uma maratona?

Outro exemplo, é a crença limitante do pai de uma criança. Esse pai desperta quando essa criança começa a entrar na adolescência, na puberdade. É natural que comece a despertar crenças que ele mesmo tenha, limitações, porque ele nunca foi pai, até então, de uma adolescente. Isso é natural, isso não impede de ir em frente. Mas pode impedir por outras questões, como segurança e zona de conforto, que faça com que esse pai fique por ali agindo com seu filho tal qual agiram com ele, mas como cada geração tem os seus desafios, fica fácil perceber que nem sempre essa será a melhor forma de um pai agir.

Estar limitado não significa algo ruim desde que essa pessoa esteja conseguindo obter um bom resultado dentro dessa “limitação”. Agora se por qualquer motivo você se dá conta que está na hora de ampliar esse limite, então você precisará de motivação – motivo para ação!

“Enquanto a motivação dessa pessoa não for suficiente para que ela ultrapasse a sua crença limitante, não haverá um esforço adicional para ir além.”

A crença limitante, de alguma forma, é extremamente útil, pois me mostra aonde eu estou, em que estágio me encontro. Porém não é ela, e sim eu mesmo, que decido permanecer naquele patamar ou estágio. Ninguém mais! Conscientes ou inconscientes nossas crenças estarão sempre atuando, só não podemos é ficar refém delas.

Para podermos descrever a relação entre nossas Crenças e nosso Ego Ideal primeiro precisamos entender como o Ego se estrutura, afinal não nascemos com um Ego. O processo de individuação passa pela formação de um Ego estruturado e isso não é patológico e sim perfeitamente normal no desenvolvimento da nossa psiquê.

Então vamos lá!

Desenvolvimento do Ego

Ao nascermos somos uma bola de energia irradiando essa energia para todos os lados, mas um dia percebemos que nossos pais, nossos avós, nossos irmãos, pessoas importantes próximas a nós, não apreciam partes que temos em nós. Para conservar o amor daqueles que amamos, literalmente escondemos essas partes em um tipo de sacola invisível. Continuamos interagindo em nossa jornada e continuamos guardando coisas na nossa sacola. Esse é o início da formação da nossa Sombra individual, ou seja, reprimimos parte de nossa personalidade em benefício do nosso Ego ideal, que acreditamos, irá nos trazer amor e reconhecimento.

Algumas de nossas maiores crenças nascem acompanhando nosso processo de estruturação do Ego ideal e passam a atuar como proteções para nossa visão de mundo. Elas surgem do encontro do nosso Eu – enquanto tendência potencial da personalidade – e a realidade externa, da experiência entre o certo e o errado, base para a auto aceitação. Nossas primeiras crenças surgem então do início de nossa aceitação externa – a criança aceita a si mesma em termos de adequação. Essa aceitação não significa uma boa ou má experiência e sim uma experiência que proporcionou adequação e reconhecimento, mesmo que tenhamos sido mal tratados naquela experiência.

A Repressão do “Errado”

O desenvolvimento do Ego baseia-se na repressão do “errado” ou do “mau”e na promoção do “bom” – sempre pelo olhar de quem está vivendo ou estruturando o Ego. Também nesse processo utilizamos os “tabus” e os padrões morais coletivos que experimentamos. Uma vez que definimos o Ego ideal criamos também nossas Crenças, que serão os filtros para julgarmos o que é “bom” afastando o que julgamos “mau” para nós mesmos.

As crenças fazem um papel muito importante, pois protegem, tal qual nosso Ego, nossa vida estruturada. Sem elas é muito difícil convivermos harmonicamente nesse planeta. Nesse caso, podemos entende-las como mecanismos naturais de proteção. Elas nos mantém vivos dentro de um aspecto onde nos reconhecemos, então não “enlouquecemos” e conseguimos viver nesse mundo.

O ser humano necessita de seu Ego estruturado e esse necessita de suas crenças para não “enlouquecer”, mas nós não somos nosso Ego e nem tão pouco somos nossas crenças. Porém é importante entendermos que a principal função do Ego é manter o que já está estabelecido, qualquer mudança será entendido pelo Ego como uma ameaça!

Qualidades Reprimidas

O problema das qualidades reprimidas é que, por serem incompatíveis com os ideais da persona por nós criada, não são eliminadas e nem deixam de agir em nossas vidas. E aí as crenças atuam fortemente como impulsos ou padrões de comportamentos que buscam manter o Ego ideal e esconder nossa Sombra, sendo assim, quanto mais rígidas são nossas crenças mais rígido será nosso Ego e vice-versa.

E quando nosso Ego assume o comando, temos um problema. Ele se torna nosso carcereiro, decidindo por nós, ao invés de nosso protetor.

Para evitar que essas qualidades reprimidas se voltem contra nós devemos aprender a ampliar nossa consciência, modificando nossas crenças através de treinamentos, novas experiências e vivências ampliando nosso olhar sobre o mundo e consequentemente modificando nosso comportamento e nossos resultados.

Infinitas Possibilidades

Em resumo, estamos sempre, de alguma forma, limitados ao nosso próprio olhar, a nossa própria experiência, as nossas crenças. E isso não é problema algum. Porém, acreditar que esse é o único caminho aí sim é um grande problema! Para cada situação, cada decisão, cada ação na vida existem infinitas possibilidades. É isso mesmo! Vivemos em um universo de infinitas possibilidades, mas muitas delas eu só conseguirei perceber se me permitir ampliar meu sagrado ponto de vista. E para isso é necessário trabalhar minha consciência visando amplia-la.

Mas como fazer isso? Não se prendendo a um único ponto de vista e buscando experimentar coisas novas, assistindo filmes que não costumamos ver, experimentando novos hábitos, novas experiências, novos sabores, etc, porque é disso que a vida é feita. E é para isso que estamos nesse Planeta. Para sermos o melhor que pudermos concretizando nosso propósito de vida, e esse é um trabalho para nossa Essência e não para o Ego!

Crenças Limitantes