Caso você ainda não tenha acessado nossa última postagem que explica e conceitua esses dois tipos de Ética, sugiro que você leia primeiro (clique AQUI) e depois retorne para esse artigo.

Mas velocidade é importante!

Ao utilizar a Ética da Personalidade em nossa vida profissional, o ritmo e os resultados aparecerão muito mais rapidamente! Mas o que há de mal nisso? O problema é que podemos nos perder ao entrar em conflito entre o que dizemos ser e o que realmente somos. Você pode parecer ser outra coisa por algum tempo, mas não para sempre!

Já com a Ética do caráter usualmente os resultados serão muito mais lentos, pois aquilo que falamos e fazemos está diretamente ligado àquilo que realmente somos, tornando assim mais coerente a nossa própria vida. A demora deve-se  ao esforço de focar na qualidade do que será entregue ou comercializado e só depois esperar os resultados, afinal primeiro plantamos para depois colher!

Vamos imaginar uma venda de produto via internet: um infoprodutor que se oriente pela Ética da Personalidade será muito mais agressivo. Não terá pudor algum em se parecer com alguém competente, apesar de não ser, e lançar algo que ele não domine. Ele conseguirá enganar alguns, às vezes muitos, mas em algum momento sua falta de coerência ficará evidente. Ah, mas ele ficará rico. Pode até ser, mas a conta sempre vem. De um jeito ou de outro!

Já um infoprodutor que se guie pela Ética do Caráter tomará todos os cuidados para produzir um conteúdo que realmente esteja alinhado com aquilo que ele estudou, aplicou e conhece. Por dominar plenamente o que ele se propõe a vender ele resistirá em adotar técnicas que iludam e seus resultados serão mais lentos, porém com muito mais responsabilidade e que irá resguardar sua integridade.

E quanto a Robustez?

Em termos de robustez e consistência dos resultados a curva se inverte. A Ética do caráter usualmente nos levará muito mais longe, pois aquilo que falamos e fazemos está diretamente ligado àquilo que realmente somos, tornando assim mais coerente a nossa própria vida.

Já na Ética da Personalidade, com o passar do tempo, os esforços serão cada vez maiores para sustentar aquilo que tentamos desesperadamente parecer ser, mas realmente não somos. O resultado a médio e longo prazo será a fragilidade daquilo que foi construído. É como construir uma casa sem uma estrutura sólida.

As Éticas na Adolescência

Na época da adolescência, é natural o nosso comportamento estar voltado para a Ética da Personalidade. É uma fase que chegamos na escola preocupado com o lápis e o caderno que vamos usar, se estamos vestidos de acordo com os descolados ou não, se gostarão ou não do nosso cabelo, e por ai vamos.

Estamos assim muito voltados para fora porque estamos buscando nos afirmar e o único espelho que conhecemos, nesse fase, é o espelho social. Esse é um processo de desenvolvimento pessoal naturalmente normal. Mas é só analisar um jovem adolescente e ficará claro quando ele está tentando PARECER e se esquecendo de SER. Até ai, tudo normal.

O problema é que se amadurecermos e não aprendermos a ter paciência para cultivar reais valores e princípios não construiremos raízes e bases fortes para enfrentar as dificuldades da vida. PARECER até funciona na adolescência, mas com certeza não funcionará na vida adulta. Nos faltará base para quando as tempestades chegarem e tombaremos desesperados sem saber o que fazer: nossa máscara foi ao chão!

A Empresa e a Ética

No âmbito empresarial, quando os donos das empresas resolvem se envolver com as associações ou agremiações, podem se perder e chegar no extremo de abandonar suas próprias empresas por querer impressionar outras pessoas que nada tem a ver com seu negócio, porém conquistam um status, uma aparência que na verdade não importa, afinal status não paga boletos.

Muitas de nossas relações empresariais são voltadas para a aparência, valorizando o que nossas empresas parecem ser e nem sempre isso é o que realmente importa ou que trará prosperidade e perpetuidade. O ápice desse comportamento dentro das empresas é o hábito de perseguir o faturamento sem dar a devida importância para a lucratividade que é o que realmente importa!

O status de ser um grande empresário, ou de ser uma “celebridade”, reconhecida, pode custar muito caro e ficar inviável de sustentar – quem paga a conta (e sofre) usualmente é a empresa.

Também podemos ver o conflito entre as Éticas no lançamento de produtos ou nas promessas vazias. Vender uma vez é fácil. O difícil é conseguir se manter no mercado por décadas! Ou vai me dizer que você já não se sentiu ludibriado por uma promessa não realizada? É a corrida do vale tudo e a diferença gritante entre conquistar um novo cliente e manter clientes. Qual você acredita que é mais barato?

Somos encantados pelo parecer?

Atualmente, com o aumento do uso das mídias sociais temos uma experiência diuturna sobre a Ética da Personalidade: uma enxurrada de promessas de vida fácil sendo despejadas sobre todos nós, fazendo com que as pessoas sigam cada vez mais orientadas para o espelho social orientando-se cada vez mais para fora, para os padrões sociais instituídos, sem realmente se questionar se aquele é um caminho válido para elas.

O caminho da Ética da Personalidade nos convida para um caminho de atalhos! Nos vende receitas milagrosas e pílulas mágicas! Apesar de existirem carreiras e empresas que cresceram exponencialmente, normalmente isso demandou muito suor e dedicação. Tal qual as raízes de uma árvore que não são vistas, o esforço e o suor realizado para se construir uma carreira usualmente também é invisível aos outros.

O sucesso oferecido pela Ética da Personalidade é muito tentador e as pessoas se encantam porque aliam o caminho da Ética do Caráter à um caminho muito pesado, sofrido e demorado, o que nem de longe é verdadeiro!

Apesar de toda essa tendência social o que faz com que o PARECER seja tão tentador é que todos nós temos nossos déficits emocionais adquiridos em nossa jornada. Alguns desses complexos foram formados em nossa primeira infância. Por desconhecer uma forma de resignificar essas questões buscamos desesperadamente preencher esses “vazios emocionais” mudando do lado de fora. Simplesmente desconhecemos um caminho para dentro de nós mesmos, aonde todas as respostas estão disponíveis. Só eu posso construir o meu interior. Já o exterior eu consigo “mandar comprar”.

“5% de inspiração e 95% de transpiração”

Um convite para você

A Ética do Caráter, em determinado momento da nossa vida vai fazer um convite para uma profunda reflexão. Irá nos fazer questionar a nós mesmos sobre o que essa aparência tem trazido de positivo para nossa vida? O problema não é o carro que nós andamos ou a roupa que usamos, o problema é acreditarmos que o carro e a roupa definem quem somos!

O problema é passar a ser escravo das nossas aparências – e isso infelizmente não preenche o vazio interno. Muitas pessoas bem sucedidas mergulham na depressão por conquistar o fora sem respaldo do que possuem dentro de si mesmas!

Para nos aprofundarmos na Ética do Caráter é necessário um trabalho de autoconhecimento. Requer muita vontade de mexer nos sentimentos mais profundos, nos segredos mais ocultos e sombrios para construir raízes sólidas e, sim, isso leva um bom tempo.

“Líderes são forjados no fogo e não no mel!”

Muitas pessoas passam a vida construindo um mundo de fachada. Mas um belo dia olham para tudo aquilo e percebem que há um vazio gigante! “Mas me disseram que se eu tivesse uma boa faculdade, um belo casamento, comprasse uma casa grande, tivesse filhos, eu seria plenamente feliz”! Ledo engano!

Nem sempre percebemos esse comportamento facilmente e continuamos olhando para fora. De alguma forma tentamos suprir este buraco, trabalhando mais, adquirindo mais, comendo mais. Noutras vezes, caindo nas drogas e nos excessos tentando desesperadamente dar um sentido a nossa vida!

Mas como resolvo esse vazio?

Nos momentos que reconhecemos nosso lado frágil, nos fortalecemos. Porém na perspectiva da Ética da Personalidade isso sempre será uma fraqueza, e se é uma fraqueza não devemos falar e nem tampouco compartilhar com outras pessoas nossas angústias.

Nos últimos 15 anos tenho facilitado grupos de autoconhecimento e acredito na potência do trabalho em grupos. É possível se despir moralmente. Abrir nosso coração, chorar nossas mágoas e olhar para dentro de si procurando nossas verdadeiras raízes em um ambiente controlado.

Faz bem estar em um local onde é possível trazer pedaços de si mesmo e compartilhar: “me sinto sem saída, fracassado e sem energia”! Ou “não tenho vontade para nada”. Ou ainda “achei que acontecia só comigo ou na minha empresa!”.

Também compartilhar conquistas e alegrias reforçando que esse caminho demanda tempo e energia, porém é duradouro e sólido: “sim foi difícil, mas consegui! Só não sei porque não fiz isso antes”. Ou “não existe mágica; existe sim um ampliar de consciência e trabalho duro”. Ou ainda “quando voltamos nosso olhar para dentro de nós mesmos encontramos lá todas as respostas que procurávamos fora.

É preciso treinar e querer agir de acordo com a Ética do Caráter fortalecendo nossas raízes, nosso interior que, usualmente é invisível aos outros, mas é onde reside nosso verdadeiro Poder Pessoal.

E agora? O que fazer?

Compreender essa dança entre a Ética do Caráter e a Ética da Personalidade muda nossa visão e nossos conceitos. É normal olhar para a fora e acreditar que se conseguirmos comprar aquele carro dos sonhos estaremos conquistando sucesso. Não deixa de ser uma recompensa pelo nosso esforço.

Noutra fase da vida nós podemos preferir ter um momento com os amigos e tomar um bom vinho. Tornar nossa empresa mais leve e enxuta, menos evidente, mas muito mais saudável. Querer crescer sem atropelar tudo e todos requer sabedoria e uma orientação clara para aquilo que é duradouro.

Decidindo pela Ética

Um bom exercício, quando uma decisão deve ser tomada, de cunho empresarial/profissional,  é perguntar a si mesmo:

  • O que essa decisão irá mudar na sua vida?
  • O que isso tem a ver com os objetivos já definidos?
  • Esse caminho tem coração pra você?
  • O suposto resultado oriundo dessa decisão me trará mais felicidade/tranquilidade ou mais sufoco/correria?

O objetivo aqui é verificar se essa tomada de decisão é puramente egóica. “Ah estou fazendo porque o concorrente está fazendo”. “Estou fazendo porque fui em uma palestra e todo mundo está fazendo e eu tenho que fazer”! Ou se é uma decisão que está alinhada com nossa Missão de Alma, nossa Missão de Vida.

Uma dica simples é: uma decisão egóica te leva a querer convencer os outros. Uma decisão centrada te trará tranquilidade e paz mesmo que você não saiba explicar o porquê – simplesmente faz sentido!

Não se deixe levar pelo canto da sereia! No fim de tudo os boletos serão pagos por você e não pelos outros!

Se você gostou desse artigo não deixe de nos dizer qual parte mais te interessou!!! Deixe seu comentário, ou me envie um direct no instagram @fabioamaraldux. Vai ser um prazer conversar um pouco mais sobre o assunto.

Um forte abraço e até o próximo artigo!

Caderno com Papel de Pão

Nasci em uma família modesta e fui educado por avós italianos. Esses dois fatores da minha origem me fizeram experimentar vários aspectos que, na minha infância, foi no mínimo desafiador para mim! Estudante de escola pública, meus livros eram os herdados dos meus irmãos mais velhos e meus cadernos eram feitos por minha avó com folhas de papel de pão – aquelas que envolviam os pães e que para muitos virava lixo (alguns leitores com certeza não tem nem ideia, afinal já faz tempo, mas era um papel acinzentado de boa gramatura). Para minha avó aquele “papel de pão” era um ótimo material para se fazer um caderno – para mim era terrível!!! Eu estava muito mais preocupado com o que meus colegas iriam achar daquilo (eu estava preocupado em PARECER). Já meus pais e meus avós estavam preocupados com o desenvolvimento do meu Caráter. Eu obviamente não entendia e não compreendia. Hoje eu agradeço por ter tido na minha educação conceitos tão poderosas que trataremos no artigo dessa semana.

O que é “Ética do Caráter “?

A ética do caráter é um estilo de vida muito conhecido pelos nossos antepassados e predominou durante muito tempo em nossa civilização; é um estilo de vida onde o que importava era o que realmente e verdadeiramente éramos! Um jeito de viver que nos trazia honra e paz de espírito. O caráter norteava todas as atitudes, orientando o dia a dia e fazendo com que as decisões fossem baseadas no que realmente era justo e certo, independente das circunstâncias.

A Ética do Caráter nos ensina então a cultivar aquilo que usualmente é invisível aos outros, porém é duradouro e facilmente percebido nas relações de real importância. A preocupação na ética do caráter é com as raízes (ou valores) que estão sendo construídas, pois é isto que irá perpetuar quando as dificuldades vierem – e com certeza elas virão. Por se tratar de cultivar as raízes, viver segundo a Ética do Caráter é um processo lento e demorado que requer cultivo, aprendizado e dedicação de longo prazo. Não são admitidos atalhos que possam colocar em risco o próprio caráter. Entre o caminho correto e o caminho fácil, sempre a opção pelo caminho correto será a escolhida quando vivemos de acordo com a Ética do Caráter.

As Poderosas Sequóias!

Uma boa analogia, citada por Stephen Covey, em seu livro Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, é a das Sequoias, onde ele diz que “árvores com raízes fracas não suportam a tempestade” afirmando que as sequoias jamais seriam árvores grandiosas e centenárias sem possuir raízes verdadeiramente fortes. O mesmo também vale para pessoas e organizações, afirma o autor.

A ética do caráter está voltada para dentro, para algo interior e profundo do que somos. Perder o que somos era considerado tão trágico que o caminho escolhido era sempre cuidadosamente alinhado com nosso próprio caráter, caminhos mais fáceis, que exijam abrir mão de nosso caráter, significavam abrir mão da própria alma, da própria vontade de viver!

Agora se você pensa que essa Ética do Caráter é algo antigo e que não se aplica nos dias de hoje, se engana profundamente! Na era da informação em que vivemos talvez esse comportamento nunca foi tão necessário e desejado! Pessoas, profissionais, líderes e gestores que norteiam suas vidas por esse estilo de vida são sempre respeitados, mesmo em tempos que exijam decisões difíceis!

“Para ser ético, pois, é necessário ter algum tipo de fé. Isso não significa que se deve, necessariamente, possuir fé religiosa, mas que se deve acreditar em algum valor intangível, de alto significado moral, como bondade, caridade, sinceridade, honestidade”

A “Ética da Personalidade” ganha força!

Nos últimos 100 anos (talvez um pouco mais ou um pouco menos, afinal foi gradativo) a ética do caráter passou a perder espaço para a ética da personalidade. Em outras palavras passamos a nos importar mais com o “parecer” do que realmente “ser”.

Como dizia minha querida e amada avó paterna:

“Por fora bela viola! Por dentro, pão bolorento!!!”

Com a ética da personalidade o que mais passa a importar é o que você parecer ser, o que você diz que é e o que as pessoas acreditam que você seja baseando-se nas suas posses, nas suas roupas, na sua fala, nas suas técnicas. Algo que pode estar muito longe do que realmente você seja, porém que convence pelas aparências. Um bom exemplo é: fazer um bom curso de oratória e falar maravilhosamente sobre algum assunto que na verdade você não domina (quase não vemos isso hoje em dia na internet, não é?).

Um negociante que apesar de nunca ter exercido uma determinada função, se vestir de forma pomposa, dirigir um bom carro e falar com propriedade daquilo que na verdade não conhece convencendo tudo e todos a confiar no seu discurso! Na Ética do Caráter isso seria considerado “picaretagem”. Hoje esse negociante pode encontrar acolhimento e até ser enaltecido!

Outro exemplo é dirigir o carro do ano, morar em um bairro de classe alta, ter uma linda fachada da empresa, mesmo que tudo isso esteja financiado, passam a ser mais importantes do que que as reais condições – que muitas vezes não sejam compatíveis com toda essa pompa!

As Aparências Enganam

A Ética da Personalidade é orientada pelas aparências e usualmente não garantem robustez nas relações, ou em outras palavras, não constroem raízes fortes; pelo contrário! Nas turbulências não espere encontrar coerência em tais pessoas – você com certeza já contratou “expertises” que foram uma tremenda dor de cabeça!

A ética da personalidade está orientada para fora, onde é preciso agradar a tudo e a todos para ser reconhecido por aquilo que não necessariamente eu seja, mas no que as pessoas acreditam, tendo como base naquilo que mostro nas redes sociais, com quem ando, através do que falam de mim, de que maneira eu me visto e me exponho, onde e como gasto o meu dinheiro, tornando isso mais relevante do que meus valores, minha ética e minha honra.

Caso você tenha alguma dúvida sobre esses dois tipos de Éticas abordados nesse artigo, deixe um comentário ou mande um direct para o instagram @fabioamaraldux que terei o prazer de te responder! Também fique de olho na postagem da semana que vem que abordará um pouco mais a fundo essas duas Éticas, que por mais que tenham nomes semelhantes, são extremamente diferentes: afinal, quais as vantagens em adotar cada uma dessas Éticas? Ah, tem um vídeo no meu Canal no YouTube tratando também sobre esse tema. Acessa lá e confira: Liderar SA – Fabio Amaral Um forte abraço e até o próximo artigo.

Hoje abordaremos o tema Paradigmas que inquieta tantas pessoas e deixa tantas dúvidas pairando por aí. Para entender mais sobre o que eles são e como podemos amplia-los é só seguir lendo!

Discussão ou Diálogo?

Você possivelmente já discutiu com uma pessoa bem próxima a você e de repente se pegou perguntando “como essa pessoa pode pensar assim?”. Em épocas de eleições isso é muito comum e ultimamente, infelizmente, vivemos uma época de polarização muito forte entre diferentes pontos de vista ao redor do planeta!

Mas afinal porque isso acontece? Porque as pessoas discutem tanto e entram em pé de guerra?! São os nossos paradigmas influenciando nossas vidas muito mais do que gostaríamos (e por que não dizer) e do que temos consciência. Sem perceber nossos paradigmas guiam nossas decisões e entramos na defesa daquilo que entendemos como o nosso mundo. Entramos literalmente na discussão que por princípio pressupõe que, quem tem mais argumentos, ganha!

Imagino que com certeza você também já vivenciou isso: pessoas que dizem “querer conhecer o seu ponto de vista”. Na verdade querem é mesmo te convencer de que a maneira como elas pensam é a mais adequada! Armadilha pura!

O Diálogo, coisa rara ultimamente, exige composição ao invés de confronto estimulando que juntos possamos criar um novo olhar. Enquanto a discussão exclui o ponto de vista “perdedor”, o diálogo busca somar ao invés de definir se é o meu ou seu ponto de vista que está correto. Ele busca construir, a partir dos nossos pontos de vista, um terceiro ponto de vista, formado a partir daquilo que cada pessoa conhecia. Bem diferente, não é?

O que são Paradigmas?

Apesar da diferença entre discussão e diálogo ser bem conhecida (tal qual a teoria sobre os paradigmas) porque mesmo assim é tão difícil construir novos olhares, novos pontos de vista, diálogos ao invés de discussões? Para responder a isso vamos começar da definição do que são paradigmas.

Paradigma vem do grego paradeigma que quer dizer modelo ou padrão, tratando-se de algo que vai servir de modelo ou exemplo a ser seguido em determinada situação.

A partir das crenças que aprendemos na infância passamos a reconhecer o nosso mundo. Criamos então filtros que são os óculos que utilizamos tanto para perceber, quanto para confirmarmos aquilo que consideramos verdade pra nós, nosso ponto de vista: tudo isto pode ser chamado de paradigma.

“O processo para romper um paradigma incutido ainda na infância é doloroso, ainda mais quando este representava felicidade.”

Paradigmas: bons ou ruins?

Tais quais as crenças, os paradigmas podem ser bons ou ruins e isso depende muito mais do contexto em que estão sendo aplicados do que do próprio paradigma. Qualquer paradigma passa a ser ruim quando nos congela ou cristaliza em um único olhar, um único ponto de vista. É muito comum então pessoas acreditarem que é indispensável a quebra de paradigmas e que são eles o inimigo, porém não necessariamente isto deve ser feito. Como disse, depende do contexto e dos resultados. Quando mudamos a situação um paradigma ótimo pode ser catastrófico!

Ainda na definição é importante perceber que tal qual um óculos de Sol irá filtrar os raios solares antes que cheguem aos nossos olhos, qualquer estímulo externo será “filtrado” pelos nossos paradigmas. Impossível então não percebermos tudo o que vier “de fora”, tudo o que acontecer em nossa vida a partir do nosso (limitado) olhar, do nosso ponto de vista. Sim, infelizmente somos reféns de nosso paradigmas.

Desta forma, todas as coisas que nós percebemos, através das nossas experiências, através dos nossos sentidos, das nossas emoções, da intuição, da razão, tudo, exatamente tudo passam por filtros: os nossos paradigmas. Assim como uma criança pequena que não tem um paradigma de olhar antes de atravessar a rua, sem saber o perigo que ela está correndo, nós também não teremos um paradigma de uma cultura que nunca vivemos. Simplesmente não entenderemos os hábitos e os costumes que lá existem.

Mapa versus Território

Os paradigmas são como mapas. Sabemos que “um mapa não é um território”. Um mapa é simplesmente uma explicação de certos aspectos do território, não é? Se tivermos que nos deslocar em uma cidade com um mapa de outra cidade, o mapa errado irá nos atrapalhar e não nos ajudar.

Podemos mudar nosso comportamento. Tentar com mais empenho, ser mais dedicados, aumentar horas trabalhadas. Tais esforços, entretanto, só serviriam para nos levar mais depressa ao lugar errado. Mesmo com atitude positiva continuaríamos perdidos.

Pensamos que vemos os fatos clara e objetivamente, e depois nos damos conta de que os outros os vêem diferentemente, porém de modo aparentemente tão claro e objetivo quanto o nosso.

“Vemos o mundo como nós somos.”

Cada um de nós tem a tendência para pensar que vê as coisas como elas são. Mas não é bem assim. Vemos o mundo não como ele é, mas como NÓS SOMOS – ou melhor, como FOMOS CONDICIONADOS A VÊ-LO!

De que forma posso ampliar ou flexibilizar meus Paradigmas?

É possível sim aprender novos paradigmas, ampliar outros e ser mais flexível em nossas vidas e decisões. Listo algumas abaixo:

  • Leia outros livros que não costuma ler
  • Assista filmes de diferentes culturas e de gosto diferente do seu
  • Viaje para lugares que te possibilitem a conhecer outras culturas
  • Experimente sabores diferentes
  • Conviva com pessoas com pensamentos e ideologias diferentes
  • Ouça com a intenção de acolher – que é muito diferente de concordar – acolher é respeitar o ponto de vista do outro!
  • Busque treinamentos sobre autoconhecimento
  • Escove os dentes com sua mão não dominante
  • Aperte o pedal do freio com o pé esquerdo (cuidado aqui – faça isso com o carro bem devagar e um local deserto)

Vale lembrar que devemos “desligar” o julgamento. Nosso juiz interno está sempre de plantão para definir o certo do errado e nossa intenção, quando experimentarmos coisas novas, não é discutir se é amarelo ou verde, quem está certo e quem está errado! Também lembre-se de que só VOCÊ pode ampliar seu ponto de vista, pois enquanto VOCÊ não se decidir que aquilo pode ser amarelo, ninguém vai fazer com que você mude.

“Ninguém transforma ninguém e ninguém se transforma sozinho: nós nos transformamos no encontro.”

Nessa frase de Roberto Crema ele nos lembra que mudamos no encontro; quando eu encontro com o outro é que eu começo a ver possibilidades de mundos diferentes daquele que eu acredito. Quanto mais contato com outras culturas, quanto mais eu flexibilizar meu ponto de aglutinação da consciência através de vivências, treinamentos, experiências, etc, mais eu vou ser flexível e sensível a mundos e pensamentos diferentes dos meus.

As Naus Portuguesas e as Tainhas

Quando as Naus de Portugal se aproximavam do litoral brasileiro, diz o conto, que os nativos não conseguiam vê-las. O Xamã da tribo percebe uma movimentação diferente no mar. Existe alguma coisa diferente ali, mas eles não enxergavam as Naus. O que isso quer dizer? Quer dizer que eles não tinham um filtro para comparar e então identificar qualquer coisa diferente do que eles conheciam, para compreender aquele tipo de navegação.

Mas os colonizadores também não tinham paradigmas para entender a cultura local sobre plantio, moradia e alimentação. Trataram logo de classificar a cultura nativa como “primitiva” por não se encaixar no sua visão de mundo. O resultado foi a ação de um paradigma europeu predominando ao paradigma local. Hábitos e costumes foram transformados (a força) incluindo a domesticação de muitas plantas e alimentos. É só você observar a origem do que comemos hoje! Sim, muita coisa boa se perdeu nessa briga de paradigmas.

Um outro exemplo local da nossa Ilha da Magia (Florianópolis) é dos pescadores. Eles enxergam um cardume de Tainhas chegando ainda muito distante da costa. Alguém não acostumado não vai notar nada de diferente, nem sequer uma marola, muito menos a chegada do cardume.

São nossos filtros determinando nossa visão de mundo, nossos limites e nossas decisões.

Só depende de você!

Se você não estiver disposto a ampliar seus limites, jamais irá enxergar o que é diferente, mesmo diante dos seus olhos. Você preferirá dizer, “isso nunca foi assim na minha vida, não é agora que vai ser”. Você mesmo impõe o seu próprio limite. Sem disposição para novos olhares, nada mudará.

Se mudar ainda para você é quase uma tortura lembre-se que faz parte da essência do ser humano mudar! Pelo caminho do amor ou o caminho da dor seremos convidados a mudar, a expandir nossas consciências. É disso que a vida é feita!

Já se você é do time que adora mudar, lembre-se que muitos aspectos que nos guiam são totalmente inconscientes. Nos resta então buscar o caminho do autoconhecimento, afinal não temos controle sobre o inconsciente. Precisamos trazê-lo a luz da consciência.

Independente do seu time lembre-se que nossa evolução em relação aos nossos paradigmas possibilitará maior cooperação, inclusão e melhores resultados para todos os seres humanos. E continua tudo isso só dependendo de nós mesmos! E da nossa expansão de consciência e de olhares.

“Os problemas significativos com os quais nos deparamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando eles foram criados.”

Encerramos esse artigo com essa frase memorável de Albert Einstein. Se você gostou desse artigo sugiro que você leia o artigo  sobre Crenças Limitantes e As Crenças e o Ego Ideal. Lá você entenderá aspectos inconscientes que influenciam, e muito, nossas vidas.

Se você está gostando do nosso Blog deixe um comentário ou mande um direct para o instagram @fabioamaraldux. Terei o maior prazer em te responder!

Um forte abraço e até o próximo artigo!

Assumir as rédeas da sua vida!

Você sabe o verdadeiro significado de proatividade?

Proatividade significa ser responsável pelas minhas escolhas e suas respectivas consequências. É compreender que sou hoje, fruto das escolhas que fiz no passado e que colherei amanhã aquilo que estou plantando hoje. Simples assim. O que acontece na minha vida tem a ver com a minha vida e não com a vida do meu vizinho.

Mas isso é muita pressão!

Pode parecer em um primeiro momento, mas da mesma forma que eu tenho a responsabilidade eu também tenho toda a liberdade e o poder de construir aquilo que eu quero. O fato de assumirmos a responsabilidade de ser proativo gera uma liberdade dentro da gente e quando abraçamos a responsabilidade por nossas escolhas e claro, as suas respectivas consequências, geramos inicialmente um “peso” por admitirmos as responsabilidades por nossos atos. Com o tempo isso nos trará poder por termos liberdade de criar nosso próprio destino e ter a liberdade para definir aquilo que construiremos em nossas vidas.

“Nos acostumamos a entregar nosso destino nas mãos dos outros e a assistir passivamente reclamando que não temos aquilo que queremos (ou merecemos)!”

Assim, se eu não estou satisfeito com a minha vida e com o quê estou fazendo dela, basta eu construir os fatos de maneira diferente. Quanto mais proativo formos, mais proatividade traremos para nosso dia a dia e dessa forma, mais realizações teremos alcançado.

Ser ou não ser Vítima?

Outro ponto fundamental é, de uma vez por todas, detonar com o muro das lamentações, o famoso mi-mi-mi. Chega de ser reativo, ser vítima. Abra-se para o novo. Nesse momento, será fundamental prestar muita atenção na sua linguagem e suas atitudes. Por exemplo: quando você se pegar culpando-se ou tentando achar algum culpado para o que não está dando certo na sua vida, volte imediatamente.

Como já dizia Saint Exupery, “Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa”. Ou seja, o que acontece na sua vida tem haver contigo e com mais ninguém.

“Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa”

O hábito da proatividade nos convida a assumir as rédeas da minha vida e aprender com os resultados das minhas escolhas. Se o resultado for positivo, comemore, se presenteie, pois você merece. Ainda assim, quando nossas escolhas não trouxerem um resultado bom, ficamos calmos por saber que poderemos mudá-las na próxima oportunidade.

Não ficamos remoendo nem buscando culpados, pois o sentimento de vítima nos tira todo o poder e afunda cada vez mais. Ao invés de voltar às lamúrias, buscamos aprender com os erros e o que podemos fazer para que isso não se repita novamente.

Baseado nisso conseguimos visualizar que nossas escolhas determinam nossos destinos, porém muitas vezes reagimos a qualquer estímulo externo sem ao menos pensarmos a respeito.

Entre o estímulo e a resposta temos sempre a possibilidade da Escolha. Sendo assim, podemos escolher quais “presentes” aceitamos e quais não nos pertencem. Isso nos permite exercer nossa escolha ao invés de reagirmos mecanicamente. Outra questão importante é que cada escolha traz junto suas consequências e ao escolhermos somos responsáveis por ambas. Quer saber sobre as escolhas que optamos em nossas vidas?

“Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências.”